A ANAMOLA enfrenta uma onda de renúncias sem precedentes em Cabo Delgado, com dirigentes distritais e membros fundadores a abandonarem o movimento em protesto contra a falta de valorização interna e divergências com a liderança. Entre Pemba, Chiure, Montepuez e Metuge, pelo menos sete demissões oficiais revelam sinais de instabilidade e um clima de descontentamento generalizado dentro do partido.
A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) enfrenta uma nova onda de instabilidade política, marcada por várias renúncias apresentadas entre 18 e 26 de Novembro na província de Cabo Delgado. Pelo menos sete dirigentes distritais e membros fundadores formalizaram o abandono do movimento, citando falta de valorização dos quadros, divergências internas e ausência de condições para progressão dentro da organização.
As desistências, ocorridas em Pemba, Chiure, Montepuez e Metuge, revelam um padrão comum: descontentamento generalizado e fricções entre as estruturas locais e a liderança provincial e nacional.
Rupturas começam em Montepuez
Uma das saídas mais simbólicas é a de Serafim António Victor, membro fundador e Coordenador Distrital de Montepuez. Na sua carta datada de 18 de Novembro, o dirigente afirma que abandona o cargo e o movimento por entender que “o partido não valoriza os seus quadros”. A sua renúncia é vista como a primeira ruptura pública desde a criação da organização.
Metuge e Chiure também perdem quadros
Em Metuge, Fernando Tames — antigo membro da Renamo e figura de peso na ANAMOLA — solicitou a sua saída imediata no dia 19 de Novembro. A renúncia foi formalmente validada pela coordenação provincial.
No distrito de Chiure, o Coordenador Distrital Raul Nipepo seguiu o mesmo caminho, alegando igualmente a “não valorização dos quadros” e tensões internas relacionadas à gestão e representatividade.
Pemba regista quatro renúncias
A capital provincial não ficou de fora. Pemba registou quatro abandonos adicionais: Abudo Sacate, Atimo Ausse Buraimo, Adelino Fernando Castiano e João Bau. Todos apresentaram justificações semelhantes — divergências internas, falta de reconhecimento e inexistência de condições estruturais para o trabalho político.
Sinais de crise organizacional
O conjunto de renúncias levanta preocupações sobre a capacidade de gestão interna da ANAMOLA, um partido ainda jovem, mas que enfrenta dificuldades na comunicação interna, falta de alinhamento entre as bases e a liderança e ausência de mecanismos organizativos sólidos.
Até ao momento, a direção nacional do movimento ainda não apresentou uma posição oficial sobre o crescente número de afastamentos.
Artigo Relacionado: https://vozafricano.com/simeao-lopes-assume-lideranca-do-idepa-ip-e-governo-aponta-nova-rota-para-o-sector-pesqueiro/