O Governo moçambicano reafirmou que estão reunidas as condições necessárias para a retoma dos mega-projectos de gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, conduzidos pela TotalEnergies e pela ExxonMobil. A posição surge após a confirmação do reinício faseado das operações por parte de uma das petrolíferas envolvidas, num momento considerado decisivo para o futuro do setor energético no país.
De acordo com o Executivo, a melhoria gradual da situação de segurança na província — que enfrentou ataques armados e deslocações em massa nos últimos anos — tem sido determinante para permitir o retorno dos investimentos. As autoridades destacam o papel das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, apoiadas por forças estrangeiras, incluindo contingentes do Ruanda, que continuam a garantir patrulhamento e presença operacional em áreas consideradas sensíveis.
A TotalEnergies, operadora da Área 1, suspendeu o seu projeto em 2021 na sequência do ataque à vila de Palma. Com a atual estabilização, a empresa prepara um plano para relançar as atividades e deverá apresentar um cronograma detalhado às autoridades nas próximas semanas.
A petrolífera tem também insistido em negociações relacionadas com perdas acumuladas durante a paralisação, estimadas em vários milhares de milhões de dólares.
Por outro lado, a ExxonMobil, responsável pelo projeto Rovuma LNG da Área 4, avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares, considera que o avanço da TotalEnergies contribui para melhorar o ambiente geral de negócios e criar condições para a decisão final de investimento. A empresa está a concluir estudos técnicos e administrativos que poderão culminar com o levantamento da cláusula de força maior aplicada desde 2021.
Apesar das declarações otimistas, organizações da sociedade civil e analistas independentes alertam que, embora a situação tenha melhorado, persistem focos de instabilidade em alguns distritos de Cabo Delgado. Para estes grupos, a retoma não deve ocorrer sem reforço das medidas de proteção às populações, maior transparência nos acordos e garantias de que os benefícios económicos alcançam as comunidades locais, frequentemente afetadas por deslocações, perda de terras agrícolas e dificuldades de acesso a serviços básicos.
A possível reativação total dos projetos de gás coloca Moçambique novamente no centro das atenções do mercado global de gás natural liquefeito (GNL). Especialistas afirmam que, caso não haja novos atrasos, o país poderá consolidar-se entre os maiores produtores mundiais, com impacto significativo no crescimento económico, receitas fiscais, criação de emprego e desenvolvimento de infraestruturas.
No entanto, também alertam que os benefícios dependerão da gestão adequada dos recursos e da estabilidade política e social da região.Com os próximos meses considerados decisivos, todas as atenções permanecem voltadas para Cabo Delgado, onde o retorno dos mega-projectos é visto tanto como uma oportunidade económica estratégica quanto como um grande desafio de segurança, governação e inclusão social.
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