O comandante do Exército moçambicano, major-general André Mahunguane, assegurou esta terça-feira (18), em Nampula, que a situação no distrito de Memba se encontra “sob controlo”, após uma série de ataques atribuídos a grupos extremistas provenientes de Cabo Delgado. Embora o oficial garanta que o ambiente é estável, os números apresentados pelas autoridades provinciais revelam um cenário de destruição significativa e comunidades profundamente afectadas.
Insurgentes perseguidos na zona entre Chipene e Mazua
Segundo o comandante, um pequeno grupo de insurgentes permanece escondido na região que abrange Chipene e Mazua, onde as Forças de Defesa e Segurança (FDS) continuam numa operação de perseguição activa. Mahunguane afirmou que as tropas mantêm posições estratégicas e reforçaram o patrulhamento para evitar novas incursões.
“A situação está controlada e não há razão para pânico. O ambiente em Memba é calmo, mas pedimos à população que continue vigilante e reporte qualquer movimento suspeito”, declarou o comandante, citado pelo Jornal Ngani.
Três mortos, 101 casas destruídas e moradores raptados
Apesar da garantia de segurança, o Secretário de Estado na província de Nampula apresentou um balanço alarmante sobre a dimensão dos danos provocados pelos ataques, que se estenderam por vários dias.
Os actos violentos provocaram:
- 3 mortes confirmadas,
- 101 casas destruídas,
- destruição de viaturas e uma moageira,
- além do rapto de moradores cujo número exacto ainda está a ser apurado.
Os ataques tiveram início em Mazua nos dias 14 e 15, expandindo-se no dia 17 para a vila-sede de Memba, Chipene e Baixo Pinda, criando um rasto de medo e instabilidade em toda a região.

Deslocamento em massa agrava crise humanitária
A violência desencadeou um novo fluxo de deslocados internos. Autoridades locais estimam que:
- 200 famílias fugiram para o distrito de Eráti,
- 40 buscaram refúgio em Nacarôa,
- e outras famílias deslocaram-se para Nacala-a-Velha e Nacala-Porto.
Com o deslocamento repentino e massivo, muitas famílias abandonaram bens essenciais, criando desafios imediatos para assistência humanitária, abrigo e alimentação.
Projectos públicos suspensos e impacto no desenvolvimento
A instabilidade obrigou o Governo distrital a suspender vários projectos públicos, incluindo:
- a construção de um novo centro de saúde,
- e a implementação do sistema de abastecimento de água potável,
infra-estruturas consideradas vitais para o desenvolvimento e qualidade de vida das comunidades locais.
A paralisação destes projectos agrava ainda mais a vulnerabilidade da população, já afectada por anos de incidentes esporádicos ligados à expansão da insurgência no norte do país.
Autoridades pedem colaboração da população
Embora o Exército assegure que tem a situação dominada, as autoridades pedem que a população mantenha a vigilância e comunique imediatamente qualquer actividade suspeita.
O major-general Mahunguane reforçou que a estratégia de resposta envolve tanto operações militares como cooperação comunitária, sublinhando que a estabilidade duradoura depende da articulação entre as FDS, as lideranças locais e os próprios residentes.
Leia notícia relacionada: https://vozafricano.com/governo-de-nampula-requer-125-m-para-repor-infra-estruturas/