Os Estados Unidos elevaram o tom no Conselho de Segurança das Nações Unidas ao anunciar que irão aplicar sanções “no limite máximo” para cortar as fontes de financiamento do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa estratégia que inclui bloqueios marítimos e ações de interdição naval. A declaração aprofundou divisões diplomáticas e gerou alertas de uma possível expansão de medidas coercivas na América Latina.
Segundo informou a Reuters, o embaixador norte-americano na ONU defendeu que grupos criminosos e redes transnacionais representam hoje a maior ameaça à segurança do hemisfério ocidental, justificando o reforço da presença militar dos EUA e a intercepção de navios ligados ao petróleo venezuelano. Washington sustenta que petroleiros sancionados funcionam como a principal linha de sobrevivência económica do governo de Caracas e como fonte de financiamento de organizações classificadas como terroristas.
A iniciativa norte-americana provocou reações imediatas. A Rússia advertiu que o que está a ser feito contra a Venezuela pode servir de “modelo perigoso” para futuras ações de força contra outros Estados latino-americanos. A China, por sua vez, apelou à contenção e pediu a suspensão de medidas que possam agravar a escalada de tensões.
O governo venezuelano rejeitou frontalmente as acusações, negando a existência das organizações criminosas apontadas por Washington e classificando a ofensiva diplomática como uma tentativa de legitimar pressões unilaterais fora do quadro do direito internacional. Caracas afirma que não existe conflito armado que justifique ações com base em normas de guerra ou em autodefesa.
Embora centrado na América Latina, o confronto ecoa fortemente em África. Países africanos produtores de petróleo e Estados historicamente sujeitos a sanções alertam para os riscos de precedentes que fragilizam a soberania nacional e ampliam o uso de instrumentos económicos como armas políticas. A memória de bloqueios, sanções e intervenções externas continua viva no continente.
O impasse na ONU evidencia um mundo cada vez mais polarizado, onde disputas energéticas, segurança e influência global se cruzam. Para a Venezuela, o cerco promete apertar; para a comunidade internacional — incluindo África — o episódio reacende o debate sobre limites do poder, legalidade internacional e o custo humano das sanções prolongadas.
A Reuters também publicou um tema relacionado a essa matéria: https://www.reuters.com/world/us-tells-un-it-will-deprive-venezuelas-maduro-drug-cartel-of-resources-2025-12-23/