O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) divulgou uma reestruturação interna que altera profundamente a forma como a instituição se organiza e estabelece prioridades. A nova configuração coloca os combustíveis fósseis e a energia nuclear no centro da estratégia energética federal, reduzindo o peso antes dado às energias renováveis, à inovação limpa e aos programas de eficiência energética.
O anúncio veio acompanhado de um novo organograma e de uma breve declaração oficial. Segundo o DOE, a reorganização está alinhada com a estratégia de “dominância energética” defendida pelo Presidente Donald Trump, que destaca a exploração interna de petróleo, gás e energia nuclear como motores essenciais para a economia norte-americana.
Novos gabinetes e cortes em estruturas verdes
A remodelação administrativa inclui a criação de novos gabinetes, como o Gabinete de Hidrocarbonetos e Energia Geotérmica e o Gabinete de Fusão, sinalizando uma aposta reforçada na exploração de recursos tradicionais e no desenvolvimento de tecnologias de próxima geração que não estão diretamente ligadas às energias renováveis convencionais.
Por outro lado, estruturas consideradas fundamentais durante a administração Biden foram dissolvidas ou desapareceram do novo organograma. Entre elas está o Gabinete de Demonstrações de Energia Limpa, responsável por financiar projetos-piloto de tecnologias verdes, e o histórico Gabinete de Eficiência Energética e Energias Renováveis, que coordenava investigação e programas federais dedicados ao solar, eólico e mobilidade sustentável.
Especialistas do setor afirmam que a extinção ou redução dessas áreas representa um recuo significativo nos investimentos federais em energia limpa, podendo ter impacto direto na inovação e no ritmo de transição energética no país.
Mudança em financiamentos estratégicos
Outra modificação que chama atenção é a renomeação do Gabinete de Programas de Empréstimos, que passa a chamar-se Gabinete de Financiamento para a Dominância Energética. A mudança simbólica sugere que futuros financiamentos poderão favorecer projetos ligados ao petróleo, gás natural, carvão e nuclear, em detrimento de iniciativas renováveis.
Uncertainties sobre empregos e impacto operacional
Até ao momento, o DOE não especificou se a reestruturação implicará cortes de pessoal ou redistribuição de funcionários. Fontes internas citadas por especialistas indicam que ainda não há clareza sobre como as mudanças serão implementadas na prática, criando um clima de incerteza entre trabalhadores e parceiros do setor energético.
Governo defende mudança como estratégia de “bom senso”
No comunicado oficial, o secretário de Energia, Chris Wright, defendeu a nova estrutura. Segundo ele, “graças à liderança do Presidente Trump, o Departamento de Energia está a alinhar as suas operações para restaurar o bom senso na política energética, reduzir custos para as famílias e empresas americanas e garantir a boa gestão dos recursos dos contribuintes”. Wright afirmou ainda que a reestruturação permitirá ao DOE “entregar energia acessível, fiável e segura à população americana”.
Impacto e controvérsia esperados
A reconfiguração do DOE deverá gerar debates intensos nos próximos meses. Ambientalistas temem um retrocesso na transição para fontes de energia menos poluentes, enquanto setores ligados ao petróleo e ao nuclear celebram a mudança como uma oportunidade para fortalecer a produção interna.
À medida que o país enfrenta desafios climáticos crescentes e pressões económicas, a reorganização do organismo responsável por gerir o futuro energético dos Estados Unidos torna-se um tema central no debate nacional e internacional.
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