O futuro da Mozal voltou ao centro das preocupações económicas em Moçambique. O Governo confirmou que está a intensificar negociações para evitar a suspensão das operações da maior fundição de alumínio do país, num momento em que cresce a incerteza sobre a continuidade da unidade industrial.
Falando à margem de um encontro internacional sobre mineração e energia, realizado na África do Sul, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, assegurou que o Executivo está empenhado em encontrar uma solução que mantenha a fábrica em actividade. Segundo o governante, decorrem esforços diplomáticos e técnicos para viabilizar um entendimento com a operadora australiana South32 e os parceiros do sector energético.
A posição surge depois de a multinacional ter sinalizado, no final de 2025, a intenção de colocar a Mozal em regime de “care and maintenance” a partir de Março deste ano, caso não sejam revistas as condições contratuais de fornecimento de energia eléctrica. Conforme avançou a Reuters, a empresa estima um impacto financeiro significativo associado à eventual paralisação.
Energia no centro do impasse
A produção de alumínio é altamente dependente de energia intensiva e estável. No caso da Mozal, grande parte da electricidade provém da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, complementada por fornecimento regional, incluindo da sul-africana Eskom. No entanto, as actuais condições contratuais têm sido apontadas como economicamente desafiantes para a operadora.
Desde 2021, as negociações entre as partes têm-se arrastado, sem um acordo definitivo que assegure competitividade à fundição num mercado global cada vez mais pressionado por custos energéticos e volatilidade dos preços do alumínio.
Impacto macroeconómico
A Mozal não é apenas uma unidade industrial. Trata-se de um dos maiores projectos de investimento estrangeiro directo em Moçambique e um dos principais motores das exportações nacionais. A sua produção representa uma fatia expressiva das receitas externas do país, sendo determinante para o equilíbrio da balança comercial.
Além do contributo fiscal e cambial, a fundição sustenta centenas de empregos directos e milhares de postos de trabalho indirectos, envolvendo empresas de logística, transporte, manutenção e prestação de serviços.
Economistas alertam que uma eventual suspensão poderá afectar o crescimento económico, reduzir receitas fiscais e enfraquecer a confiança de investidores internacionais num momento em que o país procura consolidar projectos estratégicos nos sectores de gás natural, energia e mineração.
Pressão estratégica
O caso Mozal ocorre num período decisivo para a política industrial moçambicana. Com megaprojectos de gás natural em fase de relançamento e crescente aposta na transição energética, o Governo enfrenta o desafio de equilibrar sustentabilidade financeira, competitividade industrial e estabilidade social.
Para o Executivo, manter a Mozal operacional é também uma questão de credibilidade económica. “A prioridade é assegurar a continuidade desta indústria estratégica”, reafirmou Estêvão Pale, sinalizando que as negociações permanecem abertas.
Os próximos dias poderão ser decisivos para determinar se Moçambique conseguirá preservar um dos seus maiores activos industriais ou enfrentar um novo abalo na sua estrutura económica.