Os mercados asiáticos encerraram a sessão desta quarta-feira em terreno positivo, prolongando o impulso das últimas jornadas e levando o índice regional MSCI Ásia-Pacífico a renovar máximos históricos. O desempenho foi amplamente sustentado pelo sector tecnológico, com destaque para Taiwan, onde o índice de referência atingiu um novo recorde impulsionado pelas ações da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).
O benchmark taiwanês avançou mais de 1,5%, superando a marca dos 33 mil pontos e estabelecendo um novo pico histórico. A TSMC, maior fabricante mundial de semicondutores por contrato, liderou os ganhos ao atingir máximos intradiários inéditos, refletindo a confiança contínua dos investidores na procura global por chips avançados — especialmente aqueles ligados à inteligência artificial, computação de alto desempenho e infraestrutura de dados.
Na Coreia do Sul, o Kospi também registou valorização expressiva, aproximando-se dos seus próprios recordes. Gigantes tecnológicas como a Samsung Electronics contribuíram decisivamente para o movimento, num contexto em que o sector de semicondutores volta a ser visto como barómetro do ciclo tecnológico global.
Na China, os ganhos foram mais moderados. O Hang Seng, em Hong Kong, encerrou com ligeira alta, enquanto o índice de Xangai apresentou variação marginal positiva. A dinâmica chinesa continua condicionada por preocupações estruturais ligadas ao sector imobiliário e ao ritmo da recuperação interna, embora o apetite por ativos tecnológicos tenha oferecido algum suporte.
A ausência do mercado japonês, fechado devido a feriado nacional, reduziu parcialmente o volume regional, mas não alterou o tom otimista da sessão. Paralelamente, os futuros europeus mantiveram-se relativamente estáveis no início da manhã, sugerindo abertura cautelosa nos principais mercados do continente.
O pano de fundo macroeconómico teve peso relevante no sentimento dos investidores. Dados recentes de vendas a retalho nos Estados Unidos mostraram enfraquecimento inesperado no consumo, reforçando apostas de que a Reserva Federal poderá adotar uma postura monetária mais flexível nos próximos meses. O mercado interpreta sinais de desaceleração económica como potenciais catalisadores para cortes adicionais nas taxas de juro.
Agora, a atenção global concentra-se nos próximos indicadores norte-americanos, especialmente o relatório de emprego e os dados de inflação. Um mercado de trabalho mais fraco poderia fortalecer expectativas de afrouxamento monetário, impulsionando ativos de risco, incluindo ações tecnológicas asiáticas. Por outro lado, números robustos poderiam reequilibrar projeções e reduzir a probabilidade de cortes agressivos nas taxas.
Analistas destacam que o atual ciclo de valorização na Ásia está fortemente ancorado na narrativa da inteligência artificial e na recuperação do sector de semicondutores, após períodos de volatilidade nos últimos anos. Empresas como a TSMC tornaram-se peças centrais da cadeia tecnológica global, beneficiando tanto da procura norte-americana quanto de investimentos estratégicos em infraestrutura digital.
Para economias exportadoras como Taiwan e Coreia do Sul, a recuperação do ciclo de chips representa mais do que ganhos bolsistas — trata-se de um motor estrutural de crescimento. No entanto, a sustentabilidade dessa trajetória dependerá da evolução da política monetária nos Estados Unidos e da estabilidade geopolítica na região Ásia-Pacífico.
Com novos recordes estabelecidos e o fluxo de capital ainda direcionado para tecnologia, os mercados asiáticos demonstram resiliência. O desafio agora será manter o ímpeto num ambiente global onde decisões de bancos centrais e dados macroeconómicos continuam a ditar o ritmo dos investimentos. _vozafricano
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