A África do Sul assegurou um novo impulso ao seu processo de transição energética ao obter a prorrogação de uma garantia climática avaliada em mil milhões de dólares, uma decisão que permite destravar financiamento essencial para serviços municipais de energia e água. A medida surge num momento crítico, em que o país enfrenta fortes pressões sobre as suas infra-estruturas públicas e procura acelerar a modernização de sectores estratégicos.
A extensão da garantia viabiliza um pacote de financiamento municipal de cerca de 400 milhões de dólares, destinado a melhorar redes de distribuição de electricidade e sistemas de abastecimento de água em várias localidades. O objectivo central passa por reduzir perdas técnicas, reforçar a eficiência operacional e aumentar a fiabilidade dos serviços básicos prestados às populações.
O apoio financeiro está integrado na Parceria para uma Transição Energética Justa, um quadro internacional criado para apoiar países fortemente dependentes de combustíveis fósseis na migração para fontes de energia mais limpas. No caso sul-africano, o programa assume particular relevância devido à elevada dependência do carvão, responsável por grande parte da produção eléctrica nacional.
Uma parte significativa dos recursos deverá ser canalizada para a província de Mpumalanga, região onde se concentram minas de carvão e centrais termoeléctricas. As autoridades consideram que investir nesta zona é fundamental para garantir que a transição energética não agrave desigualdades sociais nem provoque colapsos económicos locais, apostando antes na requalificação de infra-estruturas e na criação de novas oportunidades.
Apesar das expectativas elevadas em torno do programa, a execução dos fundos tem sido mais lenta do que o previsto, o que tem gerado críticas internas e externas. Ainda assim, o Governo defende que a prorrogação da garantia cria condições para acelerar a implementação de projectos e restaurar a confiança dos parceiros financeiros.
Outro elemento relevante do novo enquadramento é a abertura gradual à participação do sector privado em áreas tradicionalmente geridas pelo Estado, como a água e a electricidade. A aposta passa por parcerias que permitam melhorar a gestão, atrair investimento e aliviar a pressão financeira sobre os municípios.
Com esta decisão, a África do Sul reforça a sua posição como um dos países africanos mais avançados na arquitectura de financiamento climático, procurando equilibrar crescimento económico, sustentabilidade ambiental e estabilidade social num contexto de profundas transformações no sector energético. (vozafricano)