O governo da Alemanha está em negociações com autoridades sul-africanas para disponibilizar até €720 milhões em financiamento climático concessionário, num passo considerado crucial para acelerar a transição energética da África do Sul e reduzir a dependência do carvão — combustível que abastece cerca de 80 % da eletricidade do país e o posiciona como a economia mais intensiva em carbono do G20.
Segundo Rainer Baake, enviado especial da Alemanha para a Just Energy Transition Partnership (JETP), este novo pacote de recursos seria integrado ao programa de cooperação internacional criado com o objetivo de apoiar a descarbonização de setores-chave, desenvolver energias renováveis, reforçar redes elétricas e gerir os impactos sociais e económicos de uma transição justa para trabalhadores e comunidades afetadas.
Se os termos forem aprovados, a contribuição alemã sob o JETP totalizaria cerca de €2,68 mil milhões — uma expansão significativa face ao compromisso inicial de €986 mil milhões, assumido no âmbito desse acordo multilateral lançado durante a COP26 e que inclui também financiamento de França, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia.
Contexto da Parceria e Desafios Energéticos
A JETP é um modelo de cooperação climática que visa apoiar economias em desenvolvimento com alto uso de combustíveis fósseis — como a África do Sul — a transitar para sistemas energéticos limpos sem comprometer a estabilidade económica e social. O novo financiamento negociado com Berlim seria canalizado para aumentar a capacidade instalada de energias renováveis, modernizar infraestruturas elétricas e promover programas de formação e reintegração profissional de trabalhadores deslocados pela desativação de centrais de carvão. Disse bmz.de
O ministro das Finanças sul-africano, Enoch Godongwana, afirmou que estes fundos fortalecerão a segurança energética de curto e médio prazo enquanto facilitam a descarbonização a longo prazo — um equilíbrio delicado num contexto de frequentes falhas de fornecimento energético e desafios económicos domésticos.
Relevância Geopolítica e Ambiental
As negociações ocorrem num momento em que a África do Sul enfrenta pressões internas e externas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, aumentar a resiliência climática e diversificar sua matriz energética. A dependência de carvão tem sido apontada por analistas como um dos principais entraves ao crescimento sustentável, responsável por períodos persistentes de racionamento elétrico e prejuízos à competitividade industrial.
Especialistas destacam também que o reforço do apoio financeiro alemão e de outros parceiros europeus pode catalisar investimentos privados adicionais, criando um efeito multiplicador sobre a capacidade do país de atrair capital para projetos verdes e integrados de infraestrutura energética.
Perspectivas Futuras
O montante agora discutido representa apenas uma parte do amplo programa de financiamento global necessário para que a África do Sul consiga reduzir significativamente o uso de carvão nos próximos anos — estimado em dezenas de milhares de milhões de dólares para cobrir energias renováveis, redes elétricas e soluções de armazenamento de energia. IOL
À medida que as negociações avançam, crescem também as expectativas sobre o papel que este tipo de parcerias pode desempenhar não apenas na transição energética sul-africana, mas como referência para outros países africanos e economias emergentes que enfrentam desafios semelhantes. (vozafricano)