A violência digital contra mulheres e meninas está a crescer num ritmo preocupante, enquanto grande parte do mundo permanece sem mecanismos legais capazes de oferecer proteção mínima a quem enfrenta agressões online. O alerta foi lançado pela ONU Mulheres no arranque dos 16 dias de ativismo dedicados ao combate a todas as formas de violência de género, incluindo a que se pratica no ambiente digital.
Segundo dados do Banco Mundial, menos de 40% dos países possuem legislação específica que criminalize o assédio, a perseguição ou outras formas de violência digital. Como consequência, 1,8 bilião de mulheres e meninas permanecem vulneráveis, expostas diariamente a ataques por parte de agressores e criminosos online.
A violência digital manifesta-se de diversas formas, desde perseguição, intimidação e ameaças, até à divulgação de fotografias íntimas sem consentimento, roubo e exposição de dados pessoais, manipulação de imagens através de deepfakes e campanhas orquestradas para destruir a reputação de vítimas. Muitas vezes, estes ataques têm como alvo mulheres que ocupam posições de liderança, nomeadamente na política, nos negócios ou na comunicação social.
Estudos citados pela ONU revelam que uma em cada quatro jornalistas já foi alvo de ameaças online de violência física, incluindo ameaças de morte, um sinal claro de que a violência digital está a ultrapassar os limites virtuais e a afetar gravemente a liberdade de expressão e a segurança das profissionais.
A diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, reforça que o impacto deste tipo de violência não termina no ecrã:
“O que começa online não fica online. O abuso digital transborda para a vida real, espalhando medo, silenciando vozes e, nos piores casos, levando à violência física e ao feminicídio.”
A ONU alerta que, sem leis fortes, campanhas educativas e mecanismos eficazes de denúncia, a violência digital continuará a expandir-se, com consequências cada vez mais graves. A organização apela aos governos para que acelerem a criação de políticas de proteção digital, invistam na alfabetização tecnológica das comunidades e trabalhem para garantir que o espaço virtual seja seguro para todas.
Os 16 dias de ativismo que agora começam pretendem mobilizar governos, plataformas digitais, organizações da sociedade civil e cidadãos para enfrentar um problema que ultrapassa fronteiras e afeta milhões. Para a ONU Mulheres, a luta contra a violência digital é hoje tão urgente quanto a luta contra qualquer outra forma de violência baseada no género.