O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, afirmou que não descarta a possibilidade de voltar a apelar à realização de manifestações em todo o país, caso o contexto político venha a justificar tal posição. O dirigente político garantiu ainda que não se arrepende das convocatórias feitas no período pós-eleitoral de 2024.
As declarações foram feitas na noite de sexta-feira, durante uma entrevista concedida à MBC TV, conduzida pelo jornalista José Belmiro. Na ocasião, Mondlane, que foi o segundo candidato mais votado nas últimas eleições presidenciais, reiterou a sua defesa da legitimidade dos protestos que se seguiram ao processo eleitoral.
Questionado sobre os episódios de violência registados durante as manifestações, Venâncio Mondlane afirmou que nunca teve, nem poderia ter, controlo directo sobre os manifestantes. Segundo explicou, os seus apelos sempre foram no sentido de protestos pacíficos, alegando que as acções violentas resultaram de infiltrações de elementos ligados às Forças de Defesa e Segurança e ao partido Frelimo. No seu entendimento, essa situação terá contribuído para a escalada de violência, incluindo saques, destruição de bens e perdas de vidas humanas.
Ao avaliar o primeiro ano de governação do Presidente da República, Daniel Chapo, o líder do ANAMOLA atribuiu uma nota negativa, considerando que houve um agravamento da corrupção no aparelho do Estado. Como exemplo, mencionou alegadas irregularidades envolvendo o Ministro da Agricultura.
Mondlane destacou ainda que, apesar de ser um partido recente, o ANAMOLA se apresenta como uma alternativa política, defendendo propostas inovadoras e uma abordagem que, segundo disse, rompe com os modelos tradicionais da política moçambicana.
Durante a entrevista, o dirigente voltou a criticar o Ministro dos Transportes e Logística, acusando-o de ter reproduzido um projecto da sua autoria relacionado com a criação de uma ligação ferroviária Sul–Norte, através de um comboio de alta velocidade.
Relativamente ao ano judicial de 2026, recentemente inaugurado, Venâncio Mondlane manifestou algum optimismo, sobretudo no que diz respeito à possibilidade de avanços no alargamento do espaço cívico e no fortalecimento do funcionamento das instituições de justiça. (Vozafricano)