Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) e um funcionário da Administração Nacional de Estradas (ANE) foram detidos, em Xai-Xai, província de Gaza, suspeitos de envolvimento em atos de roubo e vandalização no Hospital Provincial, numa situação que deixou a maior unidade sanitária da região parcialmente às escuras e comprometeu serviços vitais.
De acordo com a administração hospitalar, o ataque provocou danos severos nos sistemas elétrico, de frio e de abastecimento de água, afetando diretamente áreas sensíveis como maternidade, pediatria, morgue e laboratório. A administradora do hospital, Elisa Fuel, descreveu o episódio como o mais grave registado nos últimos cinco anos, sublinhando que os prejuízos acumulam-se após uma série de vandalizações ocorridas ao longo dos últimos seis meses.
Entre os danos registados constam o roubo de cabos elétricos, a destruição de sistemas de climatização — incluindo aparelhos da morgue e do laboratório — e a vandalização de casas de banho, com retirada de torneiras e interrupção do fornecimento de água corrente. Segundo a direção hospitalar, parte das infraestruturas afetadas estava recentemente reabilitada e pronta para entrar em funcionamento.
A equipa de segurança privada do hospital afirma ter surpreendido os dois suspeitos em flagrante, quando tentavam retirar cabos elétricos da parte superior do edifício, levando à sua imobilização e entrega às autoridades. O caso gerou indignação, uma vez que o hospital dispõe de um posto policial no seu interior há vários anos.
Entretanto, o porta-voz da PRM em Gaza, Júlio Nhamussua, contestou a versão da segurança privada, afirmando que os detidos não foram encontrados na posse dos bens alegadamente roubados, mas apenas nas proximidades do local vandalizado. O responsável garantiu que o processo segue em investigação e apelou à cautela para evitar acusações precipitadas que possam comprometer instituições públicas.
As autoridades do Hospital Provincial de Xai-Xai exigem o esclarecimento rápido do caso e alertam que a continuidade dos atos de vandalização poderá colocar em risco o funcionamento de vários serviços essenciais, sobretudo num período de elevada procura por cuidados de saúde.