Uma operação de resgate médico terminou em tragédia no Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, reacendendo alertas sobre segurança aérea e logística de emergência em uma das regiões turísticas mais emblemáticas do continente africano. Um helicóptero caiu durante a noite, provocando a morte de cinco pessoas, entre elas profissionais envolvidos diretamente na missão de salvamento.
O acidente ocorreu numa das rotas de escalada mais frequentadas da montanha mais alta de África, num ponto situado entre o acampamento Barafu e o pico Kibo, a mais de 4.000 metros de altitude. As autoridades locais confirmaram que a aeronave estava a executar uma evacuação médica, prática comum no Kilimanjaro devido aos frequentes casos de mal de altitude entre alpinistas.
Entre as vítimas estavam dois estrangeiros que já haviam sido retirados da montanha por motivos de saúde, além de um médico, um guia turístico e o piloto do helicóptero. Relatos divulgados pela imprensa tanzaniana indicam que havia cidadãos da República Checa e do Zimbabué a bordo, o que confere ao episódio uma dimensão internacional.

O comandante da polícia da região de Kilimanjaro, Simon Maigwa, informou que a aeronave pertencia à empresa Kilimanjaro Aviation, que até ao momento não se pronunciou publicamente sobre o ocorrido. Já a Autoridade de Aviação Civil da Tanzânia anunciou a abertura imediata de uma investigação, seguindo normas internacionais de segurança, para apurar as circunstâncias e as causas prováveis da queda.
Apesar de ser um destino turístico consolidado e símbolo natural do Leste Africano, acidentes aéreos na zona do Kilimanjaro são considerados raros. O último registo semelhante data de 2008, quando quatro pessoas morreram num incidente envolvendo uma aeronave na mesma região. Ainda assim, especialistas alertam que a combinação de altitude elevada, mudanças bruscas de clima e operações noturnas aumenta significativamente os riscos.

O Monte Kilimanjaro recebe dezenas de milhares de turistas por ano, muitos deles sem experiência prévia em grandes altitudes. Embora a escalada não seja tecnicamente complexa, o impacto fisiológico da altitude continua a ser uma das principais ameaças à segurança dos visitantes, pressionando os serviços de resgate e as infraestruturas aéreas de apoio.
Segundo informações avançadas pela Al Jazeera, o episódio volta a colocar em debate a necessidade de reforçar os protocolos de segurança e a capacidade de resposta médica em destinos turísticos estratégicos de África, onde o crescimento do turismo nem sempre é acompanhado por investimentos proporcionais em segurança operacional.
As autoridades tanzanianas afirmam que novos detalhes serão divulgados à medida que as investigações avancem.