As autoridades moçambicanas de recursos hídricos emitiram um alerta urgente para um possível agravamento das inundações nos distritos de Magude e Manhiça, na província de Maputo, na sequência da instabilidade de uma barragem localizada no território sul-africano. A situação surge num momento em que várias regiões do sul do país ainda enfrentam os efeitos de chuvas intensas e cheias prolongadas.
De acordo com a Direção Nacional de Recursos Hídricos (DNRH), a barragem de Seteenko, na África do Sul, apresenta sinais avançados de instabilidade estrutural após mais de uma semana de precipitações intensas naquele país. A infraestrutura, com capacidade estimada em cerca de 1,8 milhões de metros cúbicos de água, está a sofrer processos de erosão que elevam o risco de colapso, podendo provocar um aumento súbito dos caudais que entram em Moçambique através das bacias partilhadas.

Falando sobre o cenário, o chefe do Departamento de Gestão Nacional de Recursos Hídricos, Agostinho Vilanculos, explicou que as autoridades moçambicanas mantêm contactos permanentes com as entidades congéneres sul-africanas e com as comissões das bacias do Incomati e Maputo. Segundo o responsável, foi confirmada a gravidade da situação, com a possibilidade de libertação de caudais entre dois mil e dois mil e quinhentos metros cúbicos por segundo, volume suficiente para agravar significativamente as cheias, sobretudo em Magude.
As estimativas técnicas indicam que, em caso de ruptura, o nível das águas poderá ultrapassar os dez metros, afectando zonas já vulneráveis e prolongando a interrupção da transitabilidade na Estrada Nacional Número Um (EN1), uma das principais vias de ligação do país.
Para reduzir os riscos, decorrem trabalhos de emergência na barragem, incluindo a colocação de materiais geotêxteis para conter a erosão à jusante. Paralelamente, as autoridades de proteção civil intensificaram a retirada compulsiva de populações residentes em zonas de risco, tanto no território sul-africano como nas áreas moçambicanas potencialmente afectadas.
Entretanto, a DNRH reforça que o alerta permanece elevado nas bacias dos rios Incomati, Maputo, Umbeluze, Limpopo, Inhanombe e Save, apelando às comunidades ribeirinhas para seguirem as orientações das autoridades e deslocarem-se para zonas seguras sempre que necessário.
As autoridades garantem que continuarão a emitir atualizações à medida que a situação evoluir, numa tentativa de minimizar perdas humanas e materiais. (VozAfricana)