A escolta militar no troço Macomia–Oasse, da Estrada Nacional Nº 380 (N380), foi retomada esta terça-feira, 9 de dezembro, depois de cinco dias de interrupção motivada por ataques armados registados entre Chitunda e Xitaxi, no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado. A interrupção havia começado a 5 de dezembro, deixando centenas de viajantes retidos e numa situação de incerteza.
Cinco dias de tensão e desgaste para os viajantes
De acordo com várias fontes ouvidas no local, a escolta voltou a funcionar normalmente, embora os utentes descrevam os últimos dias como extremamente desgastantes. Muitos motoristas e passageiros passaram longas horas de espera sem condições adequadas, enfrentando falta de alimentos, noites mal dormidas e incerteza quanto ao reatamento da segurança no percurso.
Entre os relatos mais marcantes está a morte de uma mulher que viajava rumo a Mocímboa da Praia. Segundo testemunhas, a passageira começou a sentir-se mal durante o período de espera prolongada. Foi levada a uma unidade sanitária próxima, mas infelizmente acabou por não resistir.
Persistem cobranças ilícitas durante a escolta
Apesar da normalização parcial da circulação, mantém-se um problema recorrente: as cobranças ilegais realizadas por alguns militares encarregados da segurança. Tanto do lado de Macomia como do lado de Oasse, utentes relatam que continuam a ser “obrigados” a efetuar pagamentos informais, apresentados como uma contribuição para os militares que fazem a escolta. A prática, denunciada há vários meses por viajantes e operadores de transporte, permanece sem intervenção pública.
Alternativas arriscadas e silêncio das autoridades
Com a escolta suspensa, muitos automobilistas foram forçados a utilizar a rota alternativa Montepuez–Mueda, um desvio extenso e igualmente considerado de risco devido à presença esporádica de grupos armados. A paralisação do esquema de proteção no corredor Macomia–Oasse gerou receios de novos ataques e agravou a insegurança na zona norte da província.
Até ao momento, as autoridades provinciais ou nacionais ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os ataques recentes, a morte da passageira, nem sobre as acusações de cobranças ilícitas. Também não foi divulgada qualquer atualização sobre a estratégia de segurança para prevenir novos incidentes no corredor vital que liga vários distritos afetados pela violência armada.
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