A Renamo vai realizar, no final do mês de janeiro de 2026, a sua primeira reunião nacional desde o agravamento da crise interna que culminou no afastamento do presidente Ossufo Momade. O encontro terá lugar na cidade da Matola, na província de Maputo, e será organizado pela Comissão Nacional de Gestão (CNG) do partido.
O anúncio foi feito na quinta-feira, 9 de janeiro, pelo coordenador nacional da CNG, Edgar Silva, durante uma conferência de imprensa realizada na própria cidade da Matola. Segundo o dirigente, o evento vai reunir 93 membros da Renamo, entre coordenadores provinciais e integrantes das comissões provinciais de gestão, além de alguns convidados.
De acordo com Edgar Silva, a reunião tem como principal objetivo definir estratégias políticas e organizacionais para restaurar a estabilidade interna da Renamo, após a saída de Ossufo Momade da liderança. O encontro deverá também lançar as bases para a realização de um congresso extraordinário, considerado essencial para pôr fim às divisões que marcam o partido.
“Será a primeira vez que nos sentaremos todos para traçar ações concretas com vista a alcançar, num futuro próximo, o congresso extraordinário que permita resolver a clivagem interna que vivemos”, afirmou o coordenador da CNG.
A Comissão Nacional de Gestão surgiu como resultado de deliberações tomadas durante a Primeira Conferência Nacional de Desmobilizados, realizada em setembro do ano passado, na cidade de Chimoio, província de Manica. O órgão foi posteriormente alargado a membros considerados influentes dentro da estrutura partidária.
Segundo a CNG, a sua criação visa revitalizar o dinamismo político da Renamo, assumindo temporariamente a condução do partido, num contexto em que a liderança anterior é apontada como incapaz de responder aos desafios internos.
A reunião de janeiro é vista como um momento decisivo para o futuro da Renamo, numa fase em que o partido procura reorganizar-se e redefinir o seu posicionamento no cenário político nacional.