Um relatório preliminar do Departamento de Defesa dos Estados Unidos trouxe novos sinais de alerta sobre a aceleração do poderio nuclear da China, ao indicar que Pequim poderá já ter armazenado mais de uma centena de mísseis balísticos intercontinentais em campos de silos recentemente construídos. A revelação surge num momento de elevada tensão geopolítica, marcado pelo enfraquecimento dos acordos internacionais de controlo de armamentos.
O documento sugere que a modernização do arsenal chinês avança a um ritmo superior ao de outras potências nucleares, contrariando expectativas de maior abertura para negociações multilaterais. Apesar de discursos políticos sobre possíveis entendimentos estratégicos entre Washington, Pequim e Moscovo, o relatório indica que não há sinais concretos de interesse chinês em retomar conversações sobre limitação de armas nucleares.
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a avaliação do Pentágono aponta que os novos mísseis estariam posicionados sobretudo em áreas próximas à fronteira com a Mongólia, reforçando a capacidade de dissuasão estratégica da China. Ainda que os Estados Unidos já tivessem identificado a construção dos silos, esta é a primeira vez que surge uma estimativa sobre o número de mísseis potencialmente instalados.
Pequim rejeitou as conclusões do relatório, reiterando que mantém uma doutrina nuclear defensiva, baseada no princípio do não primeiro uso, e acusou Washington de tentar distorcer a realidade para justificar rivalidades estratégicas. Autoridades chinesas afirmam que o seu arsenal permanece no nível mínimo necessário para garantir a segurança nacional.
O relatório também projeta que, caso a tendência se mantenha, a China poderá ultrapassar a marca de mil ogivas nucleares até o final da década, num cenário que preocupa analistas internacionais. O alerta ganha ainda mais peso com a aproximação do fim do Tratado Novo START, o último grande acordo de controlo nuclear entre EUA e Rússia, cuja expiração pode abrir caminho para uma nova corrida armamentista.
Para África, onde várias potências globais disputam influência política, militar e económica, o recrudescimento das tensões entre grandes Estados levanta receios adicionais. Conflitos distantes tendem a ter impactos diretos no continente, seja através da militarização de zonas estratégicas, seja pela pressão sobre recursos naturais e alianças diplomáticas.
O avanço nuclear chinês, somado à fragilidade do sistema internacional de controlo de armas, reforça a percepção de um mundo cada vez mais polarizado, em que a lógica da força volta a ganhar espaço sobre a diplomacia.
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