A República Democrática do Congo (RDC) acusou formalmente o Ruanda de estar envolvido na morte de mais de 1.500 civis no leste do país, numa escalada de violência que, segundo Kinshasa, pode evoluir para um conflito regional de grandes proporções.
De acordo com informações divulgadas pela Agence France-Presse (AFP) e citadas por meios internacionais como a Tribune, os ataques intensificaram-se desde o início de dezembro, quando o grupo armado M23, alegadamente apoiado por Kigali, lançou uma nova ofensiva na província de Kivu do Sul, violando um cessar-fogo alcançado meses antes.
Ofensiva após acordo de paz agrava crise humanitária
Segundo o Governo congolês, a nova vaga de violência ocorreu poucos dias depois de um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos, levantando sérias dúvidas sobre a eficácia dos esforços diplomáticos na região.
A situação agravou-se com a queda da cidade estratégica de Uvira, no corredor que liga o leste da RDC ao Burundi, provocando a fuga de dezenas de milhares de civis, muitos dos quais atravessaram a fronteira em condições precárias, aumentando a pressão sobre campos de refugiados já sobrelotados.
Uso de drones e armamento pesado
Kinshasa denuncia que a ofensiva apresenta um nível de sofisticação incomum, incluindo o uso de bombardeamentos aéreos, drones kamikaze e armamento pesado, meios que, segundo as autoridades congolesas, indicam apoio militar direto do Ruanda.
Fontes oficiais citadas pela AFP indicam ainda que três novos batalhões ruandeses terão sido enviados para reforçar posições em Kivu do Sul, com alegado objectivo de avançar em direcção a Kalemie, na província de Tanganyika.
Região mineira no centro da disputa
A principal preocupação estratégica da RDC é a possibilidade de o M23 consolidar o controlo da rota até Katanga, região considerada o coração mineiro do país, rica em cobre, cobalto e outros minerais estratégicos essenciais para a economia global.
Analistas alertam que o controlo dessas áreas pode alterar significativamente o equilíbrio económico e geopolítico da África Central.
Conflito persistente no leste do Congo
O grupo M23 retomou as hostilidades em 2021, após quase uma década de relativa inactividade. Desde então, tem ocupado vastas áreas do leste congolês, uma região marcada por conflitos armados, exploração de recursos naturais e ingerência externa.
Organizações internacionais alertam para o agravamento da crise humanitária, com risco de colapso dos serviços básicos, aumento da fome e deslocações em massa, caso o conflito continue a expandir-se.
Fonte: Agence France-Presse (AFP) / Tribune