A localidade de Nanguilhé, no distrito de Metuge, província de Cabo Delgado, viveu momentos de tensão extrema depois de residentes, influenciados por rumores, terem acusado profissionais de saúde de estarem a espalhar cólera de forma intencional. A situação tornou-se crítica quando um grupo de moradores avançou para a unidade sanitária local, hostilizando trabalhadores de saúde e líderes comunitários. A Polícia da República de Moçambique (PRM) foi obrigada a intervir rapidamente para evitar confrontos maiores.
Surto de cólera e desinformação
Metuge enfrenta um surto de cólera desde finais de novembro, com 40 casos confirmados, duas mortes e 34 recuperações. Apesar da resposta das autoridades de saúde — que incluem equipas de vigilância epidemiológica, mobilização comunitária e ações de saneamento — a propagação de informações falsas tem alimentado medo e desconfiança.
Na povoação de Nanlia, no posto administrativo de Mieze, os boatos aprofundaram-se após a morte de um menor no dia 26 de novembro. Sem confirmação clínica da causa da morte, residentes atribuíram-na à cólera e passaram a acreditar que equipas médicas estariam a “pulverizar” substâncias para alastrar a doença.
O ambiente rapidamente se deteriorou. Moradores ameaçaram incendiar o centro de saúde, atacar profissionais e destruir casas de líderes comunitários. A tensão colocou em risco não só os trabalhadores, mas também o atendimento de pacientes num momento crítico de saúde pública.
Intervenção policial e responsabilização
De acordo com Eugénia Nhamuassua, porta-voz da PRM em Cabo Delgado, a polícia agiu de imediato para impedir que os ataques fossem concretizados. A pronta intervenção evitou agressões, destruição de bens e, possivelmente, uma tragédia maior.
A polícia repôs a ordem e garantiu condições para que os profissionais de saúde, que estavam sob forte intimidação, retomassem os seus serviços. O caso já foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá identificar e responsabilizar os autores da incitação à violência e da disseminação de rumores.
Apelo das autoridades e impacto social
O sector da Saúde reforça que o combate à cólera depende de ações simples, mas fundamentais: uso de água tratada, saneamento básico, higiene regular e confiança nas orientações médicas. A desinformação — sublinham — pode ser tão perigosa quanto o próprio surto, pois enfraquece a resposta das autoridades e coloca as comunidades em risco.
Numa província marcada por deslocamentos, insegurança e fragilidade social, episódios de violência motivados por boatos constituem uma ameaça adicional. Especialistas alertam que ataques contra profissionais de saúde comprometem a capacidade de resposta a surtos e atrasam ações que salvam vidas.
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