Um desabamento numa mina artesanal de ouro, conhecida como “Seis Carros”, no distrito de Vanduzi, província de Manica, provocou a morte de dois garimpeiros e deixou três outros feridos, um dos quais em estado crítico, reacendendo o debate sobre a insegurança na exploração mineira informal no centro do país.
Entre as vítimas mortais encontra-se Yuri Egas Ricardo Hama Manejo, professor da Escola Primária de Matakenha, na cidade de Chimoio, que conciliava a docência com a actividade de garimpo. A comunidade escolar manifestou profunda consternação pela perda do docente, descrevendo-o como um profissional dedicado e lamentando o desaparecimento físico causado por um acidente evitável.
Em nota de pesar, a direcção da escola sublinhou que a morte do professor representa não apenas uma perda familiar, mas também um duro golpe para o sector da educação local, numa altura em que o país enfrenta carência de quadros qualificados no ensino primário.
Um dos sobreviventes, identificado apenas por Paulino, actualmente internado no Hospital Provincial de Chimoio, relatou momentos de pânico vividos no interior da mina. Segundo o seu testemunho, o grupo começou a notar a queda de pedras enquanto trabalhava, situação que rapidamente evoluiu para uma derrocada de grandes proporções, levando dezenas de garimpeiros a fugir em debandada. Muitos, contudo, não conseguiram escapar a tempo, resultando em mortos e feridos graves.
O Hospital Provincial de Chimoio confirmou a entrada de três vítimas em estado grave. De acordo com o porta-voz da unidade sanitária, um dos feridos apresentava traumatismo craniano severo e acabou por perder a vida horas depois, enquanto os outros dois permanecem sob observação médica, com quadro clínico considerado estável.
As autoridades de saúde indicam que outro ferido recebeu atendimento no Hospital Distrital de Vanduzi, tendo tido alta após cuidados ambulatórios.
O acidente ocorre poucas semanas depois de uma visita oficial à mina por parte do secretário de Estado da província de Manica, que, na altura, garantiu que a área se encontrava sem actividade operacional, negando violações ao Decreto n.º 35/2025, que regula a exploração mineira artesanal. Contudo, o sucedido demonstra que a actividade persistiu de forma clandestina.
Especialistas alertam que, com a intensificação das chuvas e a consequente saturação dos solos, o risco de desabamentos aumenta significativamente, tornando frequentes tragédias deste tipo em várias zonas mineiras da província. A situação continua a lançar luto e desespero entre famílias de garimpeiros, muitas vezes forçadas pela pobreza a recorrer a actividades de alto risco para garantir a subsistência.