O Governo de Portugal anunciou o envio para Moçambique de uma equipa especializada composta por elementos da Polícia Judiciária (PJ) e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, na sequência da morte do empresário português Pedro Ferraz Correia dos Reis, ocorrida na passada segunda-feira, em Maputo.
Em comunicado conjunto, os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça informaram que a decisão resulta de contactos mantidos ao longo da semana com as autoridades moçambicanas, no quadro da cooperação bilateral entre os dois países. A equipa deverá chegar a Maputo ainda neste fim de semana para acompanhar de perto as investigações, em articulação com as autoridades policiais e judiciárias de Moçambique.
Pedro Ferraz Reis, administrador português do Banco Comercial de Investimentos (BCI), foi encontrado morto na noite de 19 de janeiro, numa casa de banho do Hotel Polana, apresentando vários golpes provocados por arma branca. Numa fase inicial, as autoridades indicaram tratar-se de um homicídio, mas, posteriormente, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Hilário Lole, afastou a hipótese de crime, apontando para outra linha de investigação.
A mudança de versão oficial gerou forte controvérsia e levou familiares e amigos próximos a lançarem uma petição pública exigindo o apuramento da “verdade dos factos” e a intervenção do Estado português. O documento, divulgado pelo Diário de Notícias, é dirigido ao Presidente da Assembleia da República de Portugal, José Pedro Aguiar-Branco, e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Na petição, os subscritores consideram incongruentes as explicações apresentadas até ao momento, criticando o facto de a investigação ter sido dada como concluída em poucas horas, passando rapidamente da tese de homicídio para suicídio. O texto classifica ainda como “descabida e inimaginável” a versão segundo a qual Pedro Ferraz Reis teria abandonado o local de trabalho para ir buscar uma faca a casa, adquirido mais duas facas e veneno para ratos, antes de se deslocar a um hotel para pôr fim à vida.
Entretanto, o Banco Comercial de Investimentos (BCI) emitiu uma nota de pesar, lamentando profundamente a morte do seu administrador e destacando o seu percurso profissional marcado pela visão estratégica, ética, profissionalismo e compromisso com o fortalecimento institucional do banco.
Pedro Ferraz Correia dos Reis era membro do Conselho Executivo do BCI e tinha ocupado anteriormente o cargo de diretor financeiro (CFO). Iniciou a sua carreira em 1995 como assessor do presidente do Conselho de Administração e do diretor-geral do BFE. Era licenciado em Business Administration, mestre em Finance pela Universidade Católica Portuguesa e concluiu, em 2011, um General Management Programme na Harvard Business School.
Residente em Moçambique há cerca de dez anos, Pedro Ferraz Reis integrava ainda o Conselho da Diáspora Portuguesa desde dezembro de 2023, sendo uma figura de relevo na comunidade empresarial luso-moçambicana.
A deslocação da equipa portuguesa a Maputo é vista como um passo decisivo para o esclarecimento do caso, num contexto de crescente atenção pública e diplomática em torno das circunstâncias da morte do empresário.
Fonte: Integrite MGZ
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