A Ordem dos Médicos de Moçambique (OMM) anunciou o adiamento do Exame de Certificação que estava inicialmente programado para o próximo 24 de janeiro, citando os efeitos das cheias que têm afetado várias províncias e causado graves constrangimentos à mobilidade e à logística no país.
Num comunicado oficial divulgado esta quarta‑feira, a OMM explicou que a decisão foi tomada após uma avaliação do impacto das condições climáticas adversas, que têm dificultado o acesso seguro dos candidatos aos locais de prova e comprometido a realização normal do processo. Segundo o documento, a medida foi adotada “para garantir a segurança, a equidade e a plena participação de todos os candidatos, evitando exclusões decorrentes de fatores alheios à sua vontade”.
“O referido exame fica adiado para data a anunciar, estando a sua realização condicionada à evolução das condições meteorológicas, à normalização das vias de acesso e à disponibilidade dos espaços destinados à realização do exame”, refere a nota da Ordem dos Médicos.
Impacto das cheias nas infra‑estruturas e serviços
As cheias que assolam o país desde o final de 2025 continuam a causar danos significativos em várias regiões, com autoridades municipais a advertirem para “danos extensos” em infra‑estruturas, incluindo estradas, pontes e caminhos de acesso a localidades isoladas, dificultando a circulação de pessoas e bens. A situação tem criado desafios não apenas para os candidatos ao exame de certificação, mas também para serviços essenciais de saúde e educação que dependem da mobilidade das populações e dos profissionais.
Em muitos distritos, as vias encontram‑se cortadas ou intransitáveis, o que ameaça atrasar não só os exames profissionais, como também o acesso a unidades sanitárias e escolas. Autoridades locais têm apelado ao reforço de respostas emergenciais e ao apoio estatal e internacional para restaurar as ligações rodoviárias essenciais.
O exame e a certificação médica em Moçambique
O exame de certificação promovido pela OMM destina‑se a aferir a competência de médicos recém‑formados ou que buscam revalidação da sua qualificação profissional, sendo um passo obrigatório para obtenção de título reconhecido e inscrição plena na entidade reguladora da classe médica no país. A realização da prova envolve logística extensa, incluindo organização de salas de exame em diversas capitais provinciais, mobilização de examinadores e apoio administrativo para milhares de candidatos.
Especialistas afirmam que o processo de certificação é um elemento central para assegurar padrões de qualidade na formação médica e proteger a população de serviços de saúde prestados sem a devida avaliação técnica. Além disso, a implementação de exames e mecanismos de certificação tem sido tema de debate global, com vários países reforçando normas para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade profissional dos médicos.
Repercussões para candidatos e instituições
O adiamento do exame surge em um momento em que muitos candidatos já se preparavam para a prova com meses de antecedência. A interrupção do calendário pode ter impacto direto nos planos de carreira dos profissionais de saúde, no início de estágios clínicos e na disponibilidade de médicos certificados para atuação em diversas regiões do país.
Representantes de entidades estudantis e associações de jovens profissionais médicos têm apelado à OMM e às autoridades competentes que facilitem mecanismos alternativos para apoiar candidatos afetados pelas restrições logísticas causadas pelas cheias, incluindo a possibilidade de locais de prova alternativos ou apoio de transporte quando as situações de risco forem superadas.
Clima e vulnerabilidade estrutural
Moçambique tem sido periodicamente afetado por estações chuvosas intensas, com acentuação dos riscos de cheias e inundações em várias províncias. Especialistas em mudanças climáticas alertam que eventos extremos podem se tornar mais frequentes, afetando tanto a infraestrutura quanto serviços públicos essenciais. A necessidade de investimentos em infra‑estruturas resilientes figura entre as recomendações de organismos internacionais que acompanham a situação meteorológica e os impactos socioeconômicos no país.
Enquanto a OMM e as autoridades aguardam a melhoria das condições meteorológicas e a recuperação das vias de comunicação, milhares de candidatos ao exame de certificação permanecem em suspenso, na expectativa de uma nova data que permita a realização adequada da prova e a continuidade da sua trajetória profissional.