A escalada de criminalidade violenta está a comprometer seriamente a paz social na cidade de Chimoio, província de Manica. Ataques protagonizados por indivíduos armados com catanas tornaram-se frequentes, criando um clima de medo generalizado entre os residentes de vários bairros da urbe.
Dados clínicos recolhidos no Hospital Provincial de Chimoio indicam que, em média, cerca de cinco pessoas dão entrada diariamente naquela unidade sanitária com ferimentos provocados por armas brancas, sobretudo catanas. No período correspondente aos últimos 11 meses de 2025, a mesma instituição registou 45 óbitos resultantes deste tipo de agressões, revelando a gravidade do fenómeno.
O bairro Nhaurir, localizado na periferia da cidade, surge como uma das zonas mais afetadas. Nas últimas semanas, pelo menos três corpos foram encontrados naquele bairro, todos pertencentes a mototaxistas, vítimas de ataques fatais. Moradores relatam que a tranquilidade desapareceu há meses, sendo frequentes os relatos de assaltos e homicídios durante a noite e madrugada.
A violência não se limita às áreas suburbanas. No bairro Chinfura, um ataque chocou a comunidade local quando uma jovem foi mortalmente agredida ao chegar a casa, na companhia do seu irmão. A vítima foi degolada, enquanto o irmão sofreu ferimentos graves e encontra-se internado no Hospital Central da Beira. Os agressores fugiram com a motorizada das vítimas. O pai lamenta não apenas a perda da filha, mas também as dificuldades enfrentadas no atendimento médico, agravadas pela escassez de materiais hospitalares. Ainda assim, a família considera positiva a transformação de uma residência abandonada — local onde ocorreu o crime — num posto policial.
Líderes comunitários de Chinfura afirmam que os episódios de criminalidade se arrastam há cerca de quatro anos, com numerosos casos de assaltos, agressões físicas e roubo de telemóveis, deixando a população vulnerável e insegura.
No Hospital Provincial de Chimoio, praticamente todas as enfermarias acolhem vítimas de ataques com catanas. Um dos casos é o de António Joaquim Balança, atualmente internado no serviço de oftalmologia após ter sido atingido no olho esquerdo. O ataque ocorreu quando regressava a casa, depois de visitar um amigo que havia sido recentemente agredido pelos mesmos criminosos.
Os ataques estendem-se também ao distrito de Gondola, onde cidadãos relatam invasões domiciliares. Num dos casos, um residente foi atacado dentro da própria casa, tendo a sua esposa grávida e a filha de dois anos igualmente sofrido agressões, demonstrando que os criminosos não fazem distinção entre as vítimas.
Contrariamente à perceção comum, os alvos dos assaltantes não se limitam a comerciantes ou mototaxistas. Há relatos de cidadãos atacados dentro de viaturas particulares, bem como de figuras públicas locais. Um conhecido DJ da cidade foi violentamente agredido quando regressava de um espetáculo, tendo sofrido ferimentos graves e ficado inconsciente. Desde então, afirma viver sob constante medo, sendo obrigado a contratar segurança privada sempre que atua até altas horas.
Imagens captadas por câmaras de vigilância em bairros como Heróis Moçambicanos mostram a audácia dos agressores, que circulam tranquilamente empunhando catanas, conversando entre si, como se não temessem qualquer intervenção das autoridades.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) reconhece a existência do problema e admite que a criminalidade associada a homens armados com catanas é uma preocupação crescente. Contudo, as autoridades indicam que apenas três casos foram formalmente denunciados ao longo de 2025, apelando à população para que apresente queixas nas esquadras e subunidades policiais.
Por sua vez, o edil de Chimoio, João Ferreira, defende que o combate à criminalidade deve envolver toda a sociedade. Durante uma recente cerimónia oficial, apelou à Polícia Municipal para reforçar a cooperação com a PRM, sublinhando que a segurança da cidade é uma responsabilidade coletiva.
Enquanto isso, os moradores continuam a exigir respostas urgentes e medidas concretas para travar a violência que ameaça a vida, a tranquilidade e o desenvolvimento da cidade de Chimoio.
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