Belém, Brasil – 8 de Novembro de 2025
O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou esta quinta-feira, em Belém do Pará, que Moçambique necessita de mais de 37 mil milhões de dólares norte-americanos para alcançar a resiliência climática total, condição essencial para enfrentar os impactos severos das alterações do clima.
O Chefe de Estado falava durante a sessão plenária da 30ª Cimeira dos Líderes Mundiais sobre Ação Climática (COP30), onde defendeu decisões globais “corajosas e transformadoras”, assentes em solidariedade, justiça e financiamento acessível aos países mais vulneráveis.
“O tempo para buscar soluções globais está a esgotar-se. Só encontraremos respostas adequadas se agirmos juntos e em acordo”, disse Chapo, citando o Papa Francisco para sublinhar a urgência do momento que o mundo atravessa.
Segundo o Presidente, o desafio da mudança climática deve ser tratado como prioridade absoluta, uma vez que diz respeito à “nossa casa comum, a mãe Terra”. Chapo aproveitou ainda para agradecer ao Governo e ao povo do Brasil pela organização da conferência e destacou o simbolismo de a cimeira decorrer no coração da Amazónia, que descreveu como “o pulmão do planeta”.
“Belém deve inspirar decisões que assegurem uma exploração sustentável dos ecossistemas globais”, afirmou.

Crises interligadas e apelo à ação multilateral
No seu discurso, Daniel Chapo traçou um panorama global caracterizado por crises interligadas, incluindo conflitos armados, eventos climáticos extremos, fluxos migratórios e estagnação do financiamento ao desenvolvimento. Para o Chefe de Estado, estes fenómenos exigem mais do que declarações políticas — pedem ação concreta e renovada solidariedade multilateral.
O estadista recordou que já passaram mais de três décadas desde a Cimeira do Rio, marco histórico da agenda ambiental global, mas o ritmo de implementação dos compromissos climáticos “continua insuficiente” para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
“Cada fração de grau importa e cada ação ou omissão tem consequências reais”, advertiu.
Moçambique entre os países mais expostos
Referindo-se à situação nacional, Daniel Chapo lembrou que Moçambique é um dos países mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas, tendo sido repetidamente atingido por ciclones e cheias devastadoras. Mencionou, em particular, os ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que “deixaram um rasto de destruição” e resultaram em mais de 220 mortes nos últimos dois anos.
De acordo com o Presidente, alcançar resiliência climática plena exigirá um investimento de 37,2 mil milhões de dólares, montante que, segundo afirmou, “representa não apenas o custo da adaptação, mas também o valor da esperança de milhões de moçambicanos”.
Iniciativas nacionais e compromisso com o desenvolvimento verde
Apesar dos desafios, o Chefe de Estado destacou vários avanços e iniciativas nacionais em curso, como a Iniciativa de Preservação da Floresta do Miombo, a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), os programas REDD+ e a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034.
Chapo referiu que a nova NDC de Moçambique prevê uma redução de 50% das emissões de gases com efeito de estufa, em comparação com o cenário de crescimento habitual (business as usual), reafirmando o compromisso do país com uma transição energética justa e sustentável.
“Moçambique está aberto à cooperação internacional e ao investimento verde”, sublinhou.

Financiamento climático e equidade global
O Presidente aproveitou a ocasião para apelar ao cumprimento das promessas de financiamento climático internacional, com destaque para a implementação do Fundo de Perdas e Danos, destinado a apoiar países em desenvolvimento que enfrentam catástrofes climáticas.
Chapo defendeu que os mecanismos financeiros globais devem ser mais acessíveis e transparentes, de modo a permitir que países como Moçambique possam adaptar-se de forma efetiva e resiliente.
“A equidade climática deve reconhecer o direito dos países africanos ao desenvolvimento”, frisou o Presidente, acrescentando que “uma transição energética justa deve assegurar o uso sustentável dos nossos recursos naturais sem comprometer o progresso económico”.
Ao encerrar a sua intervenção, Daniel Chapo reiterou que a luta contra as mudanças climáticas é uma responsabilidade coletiva, e que “o tempo de agir é agora”.
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