O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, lançou duras críticas às transportadoras que, segundo o Governo, continuam a colocar passageiros em risco ao contratar motoristas sem a devida habilitação profissional.
Falando durante uma sessão de balanço sectorial, o governante afirmou que a situação já ultrapassou o limite do aceitável, evidenciando que algumas empresas de transporte atuam com total irresponsabilidade.
“Há transportadoras que, deliberadamente, contratam motoristas não habilitados. O dinheiro não pode estar acima da vida humana. Estamos a falar de pessoas e não de mercadorias”, sublinhou Matlombe.
Acidentes expõem cenário de desordem nas estradas
O ministro descreveu um ambiente de “anarquia total” nas vias nacionais, onde imprudência, excesso de velocidade e falta de fiscalização eficiente se combinam para produzir um número crescente de acidentes de viação.
Para ele, a ausência de consequências para os infratores tem alimentado um ciclo de impunidade.
“Estamos a viver um período de desordem nas estradas. Nada acontece aos culpados e não podemos continuar assim”, lamentou o ministro, defendendo uma revisão urgente dos mecanismos de responsabilização.
Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram condutores a realizar manobras perigosas, transportes superlotados e viaturas a circular em condições precárias — sinais de que a segurança rodoviária tem sido sistematicamente ignorada.
Medidas duras à vista
Matlombe defendeu que o Governo irá reforçar a aplicação de sanções contra motoristas e empresas que violarem as normas.
“Medidas exemplares têm que ser tomadas contra todos aqueles que, de forma desproporcional, continuam a matar pessoas com comportamentos negligentes”, afirmou.
A expectativa é que novas operações conjuntas entre autoridades de trânsito, INATRO, polícia e fiscalização municipal endureçam o controlo nas estradas, especialmente durante períodos de maior movimento.
Risco diário para passageiros
Organizações da sociedade civil têm alertado que, em muitos casos, motoristas sem habilitação específica — ou até sem carta de condução — são colocados ao volante de autocarros e viaturas de passageiros. Além disso, falhas na manutenção e pressão financeira sobre as empresas agravam o risco.
Especialistas em segurança rodoviária defendem que o país precisa de uma estratégia robusta que integre:
- certificação rigorosa de motoristas,
- penalizações mais duras para incumpridores,
- fiscalização contínua,
- campanhas de educação cívica e rodoviária.
Um problema que se tornou estrutural
O discurso do ministro reacende o debate sobre a crise de segurança rodoviária em Moçambique, onde acidentes continuam a ser uma das principais causas de morte. Para muitos, o problema não está apenas na condução imprudente, mas numa cadeia de falhas que inclui corrupção, fiscalização frágil e empresas que priorizam lucro imediato em detrimento da vida.
A mensagem do Governo é clara: ou o sector muda de práticas ou enfrentará consequências mais duras.
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