Mais de uma centena de extensionistas ligados ao Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural (FAR), na província de Nampula, iniciaram esta quarta-feira (7) uma paralisação laboral em protesto contra o não pagamento de salários há vários meses.
Os trabalhadores concentraram-se nas imediações da Delegação Provincial do FAR, onde manifestaram o seu descontentamento através de palavras de ordem e cartazes exigindo o pagamento imediato dos ordenados em atraso. Entre as principais queixas está a ausência de remuneração referente aos meses de outubro, novembro e dezembro, havendo casos de extensionistas que afirmam estar sem salário há quatro ou cinco meses.
Segundo os manifestantes, o atraso salarial está associado a entraves administrativos e à dependência de fundos provenientes do Tesouro Central. Os extensionistas recordam que foram enquadrados inicialmente no programa Sustenta e, posteriormente, integrados por via de concurso público, com processos validados pelas entidades competentes, incluindo o Tribunal Administrativo e o sistema de cadastro biométrico.
Apesar disso, os trabalhadores afirmam que a solução provisória anunciada — pagamento por meio de folhas paralelas enquanto decorria a regularização definitiva — nunca foi implementada. A situação, dizem, tornou-se insustentável, obrigando-os a recorrer à greve como forma de pressão.
A indignação aumenta pelo facto de extensionistas de outras províncias já terem recebido os seus vencimentos, enquanto Nampula continua sem respostas concretas. O impacto social da crise salarial é descrito como grave, sobretudo por coincidir com o início do ano lectivo, dificultando o sustento das famílias e o pagamento de despesas básicas.
Os grevistas apelam a uma intervenção urgente das autoridades centrais para desbloquear o pagamento dos salários em atraso, alertando que a manutenção do problema poderá agravar a tensão laboral e comprometer o funcionamento das actividades de extensão rural na província.