A Europa afirma-se como o principal motor do investimento estrangeiro em Moçambique, com um volume financeiro que ultrapassa os 60 mil milhões de euros aplicados em projectos estruturantes, sobretudo no sector energético. Este posicionamento reforça o peso estratégico do continente europeu na economia moçambicana e confirma a centralidade do País nos grandes fluxos internacionais de capital ligados à energia.
A maior parcela destes investimentos está concentrada nos megaprojectos de gás natural liquefeito desenvolvidos na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, considerados entre os maiores do mundo. Com a integração plena dos projectos das Áreas 1 e 4, o montante global associado a capital europeu poderá superar os 80 mil milhões de dólares, elevando Moçambique a um patamar de destaque no mapa energético internacional.
Empresas europeias lideram as principais operações de exploração e produção, com projectos de larga escala que envolvem investimentos de dezenas de milhares de milhões de euros. Para além da extracção e processamento de gás, a presença europeia estende-se aos grandes contratos de engenharia, construção e instalação, sectores dominados por grupos com forte capacidade técnica e financeira, responsáveis pela execução das infra-estruturas mais complexas do País.
O impacto destes investimentos vai muito além dos valores financeiros. Cada grande projecto gera milhares de empregos directos e indirectos, dinamiza cadeias de fornecimento locais e impulsiona a transferência de tecnologia e conhecimento para empresas moçambicanas. Este efeito multiplicador tem sido particularmente relevante em regiões historicamente menos desenvolvidas, onde os projectos energéticos funcionam como âncoras de crescimento económico.
A actuação europeia não se limita ao sector do gás. Há igualmente investimentos relevantes no turismo, com empreendimentos ao longo da costa e em zonas de elevado potencial natural, bem como na mineração de recursos estratégicos, incluindo carvão, ouro e minerais críticos. Esta diversificação reforça a resiliência da cooperação económica e reduz a dependência exclusiva de um único sector.
Analistas sublinham que o capital europeu em Moçambique caracteriza-se por uma visão de longo prazo, assente em relações históricas, estabilidade institucional e perspectivas de retorno sustentado. A maioria dos projectos é planeada para horizontes de duas a três décadas, o que contribui para previsibilidade económica e consolidação da confiança mútua.
Com este nível de compromisso, a Europa consolida-se não apenas como maior investidor estrangeiro em Moçambique, mas também como parceiro central no processo de transformação económica do País, num contexto em que o gás, a indústria e os serviços assumem um papel decisivo no desenvolvimento nacional. (vozafricano)