Pais e encarregados de educação da Escola Secundária da Barragem, na cidade de Nampula, denunciam falta de transparência no processo de matrícula da 10.ª classe, alegando que estão a ser cobrados valores superiores aos oficialmente afixados e que são obrigados a capinar o recinto escolar ou a pagar uma taxa adicional para terem acesso ao recibo.
Segundo os encarregados de educação ouvidos pela reportagem, os avisos colocados nas paredes da escola indicam que o valor da matrícula é de 300 meticais. No entanto, no interior da sala de matrículas, os pais são informados de que devem pagar 580 meticais, montante que inclui gravata, bolso do uniforme e processo do aluno. Além disso, é-lhes exigido que realizem a capinagem do pátio da escola ou, em alternativa, paguem mais 50 meticais, elevando o custo total para 630 meticais.
Os pais dizem sentir-se enganados pela direcção da escola, por não esclarecer previamente todos os custos associados à matrícula.
O encarregado de educação Age Malieque contou que ficou surpreendido com o valor real cobrado e acabou por regressar a casa sem conseguir matricular o filho, por falta de dinheiro.
“O processo de matrícula está a ser difícil porque ali vem colado que a matrícula da 10.ª classe é 300 meticais, mas a cobrança lá dentro é mais elevada. Fica nos 580. Se a pessoa não tiver os 580, não vai conseguir matricular. Dizem que é para gravata, bolso, processo e muita coisa. Mesmo se a pessoa comprar o processo fora, não aceitam, dizem que tem de ser o deles, com carimbo. Para mim isso é injusto”, afirmou.
Também a encarregada de educação Selma da Costa considera a situação preocupante, sobretudo para famílias com fracas condições financeiras.
“O processo de matrícula está difícil. São 580 até 600 meticais. Seria bom que colassem os valores verdadeiros. Fazemos isso porque os nossos filhos querem estudar, mas outros pais podem não conseguir matricular os filhos. No ano passado era 350, este ano subiu muito. Para nós, pais pobres, fica difícil”, lamentou.
Selma da Costa acrescentou ainda que foi obrigada a capinar para ter acesso ao recibo de matrícula.
“Tenho que capinar para ter recibo. Sem isso não vão me dar o recibo”, disse.
Outro encarregado, Gimo Abacar, classificou a exigência de capinagem como injusta e sem lógica.
“Esse processo de capinar não é lógico. A pessoa vem para matricular e encontra outra coisa para fazer. Quem devia capinar eram os alunos e não os encarregados”, afirmou.
De acordo com os pais, logo que a direcção tomou conhecimento da presença da equipa do Jornal Rigor no local, a exigência de capinagem foi interrompida, o que reforçou as suspeitas de irregularidades no processo.
Contactada pela reportagem, a direcção da Escola Secundária da Barragem recusou gravar entrevista e negou a cobrança de 580 meticais, bem como a imposição de capinagem ou pagamento adicional para a emissão de recibos.
Os pais e encarregados de educação apelam à Direcção Provincial da Educação para uma intervenção urgente, defendendo maior transparência nas taxas cobradas e o fim de práticas que, segundo afirmam, violam o direito à educação.
Refira-se que o sector da Educação fixou recentemente uma nota indicando que o valor oficial da matrícula da 10.ª classe é de 300 meticais, conforme está afixado na Escola Secundária da Barragem, apesar de, na prática, estarem a ser cobrados outros valores. (Paula nhampossasilviajose )