Um grave esquema de violação do sigilo de exames abalou o sector da educação no distrito de Milange, província da Zambézia, culminando na detenção de duas figuras de liderança escolar e na abertura de processos-crime contra um total de sete envolvidos.
O director pedagógico e o adjunto-pedagógico da Escola Básica de Nagor encontram-se detidos no Comando Distrital da PRM, indiciados de participação directa no vazamento das provas de Língua Inglesa, Química, História e Física da 9.ª classe, exames que deveriam estar sob rigoroso controlo estatal.
A informação foi confirmada esta terça-feira pelo porta-voz do Ministério da Educação, que descreveu o caso como “uma grave violação da confiança pública” e um ataque frontal ao sistema de avaliação nacional. Segundo o ministério, há fortes indícios de que o esquema contou com omissões deliberadas, negligência e cumplicidade dentro das estruturas distritais de educação.
Entre os implicados está o director dos Serviços Distritais de Educação de Milange, que, enquanto presidente da Comissão Distrital de Exames, é acusado de ter abandonado as suas responsabilidades durante o levantamento das provas — um momento crítico e altamente sensível do processo.
O director da Escola Básica de Nagor é igualmente apontado por não ter criado a Comissão de Gestão de Exames, órgão obrigatório encarregado de supervisionar e garantir a segurança e integridade de todo o processo.
As falhas não se ficaram por aí. Um técnico dos Serviços Distritais de Educação e o chefe da repartição da mesma instituição são acusados de permitir que as provas fossem levantadas por apenas uma pessoa, violando frontalmente as normas que exigem a presença de, pelo menos, dois funcionários autorizados. Dois professores, destacados como vigilantes, também foram implicados no escândalo.
O Ministério da Educação confirmou que, além do processo-crime, está em curso um processo disciplinar interno que pode resultar em expulsão, suspensão prolongada e outras sanções severas.
O caso reacende debates sobre a fragilidade dos mecanismos de controlo dos exames nacionais, num momento em que o país luta para reforçar a credibilidade do sistema educativo e a confiança dos estudantes e das famílias.
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