Manhiça, Moçambique – Dez pessoas da mesma família morreram afogadas ao tentar atravessar a Ilha Josina Machel em busca de segurança, numa das consequências mais trágicas das cheias que assolam o país. Centenas de moradores ainda aguardam resgate, e alguns permanecem em meio às águas há mais de seis dias.
A ilha, totalmente inundada, acumulava mais de 600 pessoas, muitas delas impossibilitadas de alcançar terra firme. Sobreviventes relatam cenas de desespero e perda: crianças carregadas por voluntários, idosos debilitados e famílias inteiras tentando sobreviver com recursos mínimos. “Perdi dez membros da minha família. Estávamos num barco que virou. Dois dos meus filhos e alguns netos se foram”, disse Julieta Matsolo, visivelmente abalada.
O esforço de resgate é intenso. Helicópteros pousam a cada poucos minutos no campo do Posto Administrativo 3 de Fevereiro, transportando famílias inteiras para áreas seguras. Blocos de cimento foram improvisados para permitir que as pessoas dormissem e cozinhassem, mantendo-se acima do nível da água.
Além da luta pela sobrevivência, os resgatados enfrentam o trauma emocional de perder parentes e vizinhos. Entre os relatos, há histórias de reencontros emocionantes, como o de Olívio José, que conseguiu localizar seu neto após dias de angústia.
As autoridades locais estimam que mais de 300 pessoas já tenham sido retiradas da ilha, mas a operação de resgate ainda enfrenta desafios logísticos, com a água cobrindo grandes áreas e dificultando a movimentação.
A tragédia em Moçambique reflete a vulnerabilidade de regiões costeiras e ribeirinhas diante de eventos climáticos extremos, reforçando a necessidade de planejamento urbano, alerta rápido e infraestrutura de proteção. Organizações humanitárias internacionais acompanham de perto a situação, enquanto as equipes locais lutam para salvar vidas e fornecer assistência básica a quem permanece isolado.
As cheias recentes são uma lembrança cruel do impacto do clima extremo sobre comunidades já fragilizadas, e o país segue contabilizando perdas humanas e materiais, enquanto esforços de solidariedade e resgate continuam em ritmo acelerado. (Paula Nhampossa)