A Directora do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Glória Adamo, afirmou que a corrupção continua a representar um dos principais obstáculos ao desenvolvimento sustentável em Moçambique, ao comprometer seriamente os esforços nacionais e internacionais para a redução da pobreza.
Segundo a dirigente, a corrupção actua como um “inimigo silencioso e corrosivo”, na medida em que desvia recursos públicos essenciais, fragiliza as instituições do Estado, enfraquece a confiança dos cidadãos nos serviços públicos e limita a capacidade do país de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Glória Adamo falava esta terça-feira (15), em Doha, capital do Qatar, durante a Décima Primeira Sessão Plenária da Conferência dos Estados-Parte da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (CoSP 11), evento internacional que decorre até sexta-feira (19) e reúne representantes de vários países para debater estratégias globais de prevenção e combate à corrupção.
Na sua intervenção, a responsável destacou a importância do reforço da confiança mútua e da cooperação entre os Estados-Parte, defendendo uma abordagem conjunta no enfrentamento dos crimes económicos e financeiros. Sublinhou ainda a disponibilidade de Moçambique para partilhar experiências e boas práticas, bem como para estabelecer parcerias de cooperação, tanto formais como informais.
Entre as áreas prioritárias de cooperação, Glória Adamo apontou a digitalização dos serviços públicos, através de sistemas de governação electrónica (e-governance), como instrumento-chave para aumentar a transparência, reduzir oportunidades de corrupção e melhorar a eficiência da administração pública. Referiu igualmente a necessidade de investir na formação especializada de quadros, sobretudo nas áreas de rastreio, prevenção e investigação de crimes económicos e financeiros de elevada complexidade.
A delegação moçambicana presente na CoSP 11 integra ainda a Inspectora Nacional do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Benedita Chabuca, a Directora Nacional de Estudos, Planificação e Cooperação, Aissa Aiuba, além de assessores do ministro do sector.
A Conferência dos Estados-Parte da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção é considerada uma das principais plataformas internacionais de avaliação e coordenação de políticas globais de combate à corrupção, com enfoque no reforço do Estado de Direito e da boa governação.