⚠️ ALERTA AOS LEITORES:
Este artigo contém violência e mortes. Recomenda-se discrição na leitura.
Pelo menos 32 pessoas morreram na sequência de confrontos violentos registados no norte do Chade, na província de Tibesti, numa zona mineira próxima da fronteira com a Líbia, segundo confirmaram as autoridades locais. Os incidentes envolveram mineiros artesanais da região e assaltantes armados provenientes do território líbio, num dos episódios mais mortais registados recentemente naquela área remota do país.
De acordo com informações divulgadas pela polícia chadiana, 22 residentes locais perderam a vida durante o ataque, enquanto os mineiros conseguiram matar dez dos atacantes no confronto. O balanço permanece provisório, uma vez que a região é de difícil acesso e as operações de verificação continuam em curso.

A violência ocorreu numa área conhecida pela extração ilegal de ouro, atividade que atrai milhares de mineiros artesanais, grupos armados e redes criminosas transfronteiriças. Testemunhas relataram que o ataque foi rápido e coordenado, tendo os assaltantes recorrido a armas de fogo e fugido do local antes da chegada das forças de segurança.
Apesar da ausência imediata do Exército e da polícia, um comité local de autodefesa tentou resistir ao ataque, o que contribuiu para a intensificação dos confrontos. Ainda assim, as autoridades admitem que a capacidade de resposta foi limitada devido à distância, às condições geográficas extremas e à falta de meios permanentes na região.
A província de Tibesti, localizada no extremo norte do Chade, é há vários anos considerada uma zona instável e de fraca presença do Estado. Desde a descoberta de jazidas auríferas, a região tem sido palco de disputas frequentes entre mineiros locais, grupos armados estrangeiros, contrabandistas e redes criminosas que operam entre o Chade e a Líbia.

Especialistas em segurança regional alertam que a porosidade da fronteira líbia facilita a circulação de homens armados, armas e mercadorias ilegais, agravando a insegurança. A ausência de um controlo efetivo tem transformado Tibesti numa área frequentemente descrita como uma “zona sem lei”, onde confrontos armados, sequestros e tráfico são recorrentes.
As autoridades chadianas afirmam estar a reforçar a vigilância na região e prometem investigar os acontecimentos, embora reconheçam os desafios logísticos e de segurança. Até ao momento, não foram divulgadas informações sobre detenções.
O episódio reacende o debate sobre a exploração ilegal de recursos naturais, a segurança nas zonas fronteiriças e a necessidade de maior cooperação regional para conter a violência armada no Sahel e no norte de África.
Enquanto isso, comunidades locais continuam expostas a um clima de medo e instabilidade, num contexto em que a riqueza mineral, longe de trazer desenvolvimento, tem alimentado conflitos mortais e aprofundado a crise de segurança no norte do Chade.