Dois palestinos foram mortos na Cidade de Gaza nesta segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, em ataques das forças israelenses, elevando as preocupações sobre a estabilidade do cessar-fogo vigente e a crescente crise humanitária no território.
Segundo informações da agência palestina Wafa, os ataques ocorreram no bairro de Shujayea, na zona leste da cidade. Com estas mortes, o total de palestinos mortos nas últimas 24 horas em Gaza chegou a pelo menos 12, incluindo oito vítimas cujos corpos foram retirados dos escombros.
O episódio ocorre em meio a uma série de violações ao cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025. O Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza afirmou que Israel quebrou o acordo 875 vezes desde então, incluindo ataques aéreos e de artilharia, demolições de casas e infraestruturas civis, além de pelo menos 265 incidentes envolvendo fogo direto contra civis.
Desde a implementação do cessar-fogo, pelo menos 411 palestinos foram mortos e 1.112 ficaram feridos, de acordo com dados do governo de Gaza.
Crise humanitária agravada por bloqueios e clima severo

Cerca de 1,9 milhão de pessoas – quase 90% da população de Gaza – permanecem deslocadas desde o início do conflito entre Israel e Hamas, em outubro de 2023, segundo a ONU. As famílias enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e abrigo adequado, uma situação agravada por tempestades de inverno que atingiram a Faixa de Gaza nas últimas semanas.
O Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza relatou que, desde outubro, apenas 17.819 caminhões de ajuda humanitária entraram no território, muito abaixo das 43.800 previstas, representando uma média diária de 244 caminhões, inferior aos 600 caminhões acordados por Israel.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, através de seu porta-voz Stephane Dujarric, reforçou o apelo pelo levantamento completo das restrições à entrada de ajuda humanitária, incluindo materiais de abrigo. “Apesar do cessar-fogo, recebemos relatos contínuos de ataques que interrompem operações humanitárias e ameaçam a vida de civis deslocados”, afirmou Dujarric.
As entregas de emergência incluem tendas, colchões, roupas de inverno e cobertores, mas mais de 1,3 milhão de pessoas ainda enfrentam condições inseguras, com centenas de famílias vivendo em áreas inundáveis devido às chuvas recentes.
Saúde e infraestrutura em colapso
A falta de medicamentos e suprimentos médicos prejudica ainda mais o atendimento aos pacientes. Quase todos os hospitais e instalações de saúde em Gaza foram danificados pelos bombardeios israelenses nos últimos dois anos, totalizando 125 unidades afetadas, incluindo 34 hospitais.
Desde o início do conflito em outubro de 2023, o exército israelense matou aproximadamente 70.937 palestinos, a maioria mulheres e crianças, e feriu outros 171.192, segundo registros de organizações humanitárias locais.
A situação em Gaza evidencia não apenas a fragilidade do cessar-fogo, mas também a gravidade da crise humanitária, com direitos básicos de milhões de civis comprometidos e o risco de novas escaladas de violência permanecendo elevado.
ESSA materia tambem foi destacada no aljazeera : https://www.aljazeera.com/news/2025/12/22/israel-kills-two-palestinians-in-gaza-city-as-ceasefire-violations-mount