Os principais rios da região centro de Moçambique continuam com caudais acima dos níveis de alerta, situação que já está a provocar cheias, isolamento de distritos e restrições severas à circulação de pessoas e bens em várias zonas ribeirinhas.
De acordo com a Administração Regional de Águas do Centro (ARA-Centro), a subida dos níveis hidrológicos resulta das chuvas intensas registadas a montante das bacias, afectando sobretudo os rios Zambeze, Púnguè e Búzi, que em determinados pontos ultrapassam os sete metros, quando o limiar de alerta está fixado em cerca de cinco metros.
Na província de Sofala, o distrito do Búzi encontra-se parcialmente isolado, com acessos condicionados e, em alguns casos, apenas possíveis por via fluvial. Em Chemba, a norte da província, a circulação rodoviária foi seriamente afectada pelo corte do troço entre o Posto Administrativo de Sena e a sede distrital.
Dificuldades semelhantes são registadas nos distritos de Marromeu, Cheringoma e Muanza, onde o alagamento das vias está a comprometer o transporte de pessoas, bens e produtos agrícolas, agravando a vulnerabilidade das comunidades locais.
Segundo informações avançadas por entidades governamentais, equipas técnicas estão no terreno sob coordenação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a proceder ao levantamento preliminar dos danos causados pelas cheias. A acção visa avaliar o impacto sobre habitações, infraestruturas públicas e áreas agrícolas, bem como identificar necessidades urgentes das populações afectadas.
No quadro das medidas preventivas, o Governo reforçou a monitoria permanente dos níveis dos rios, a emissão de alertas precoces e a activação de comités locais de gestão de desastres, sobretudo nas províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, onde os governadores acompanham de perto a evolução da situação.
As autoridades voltam a apelar às populações que vivem em zonas de risco para evitarem a travessia de rios, respeitarem as orientações da protecção civil e manterem-se atentas às comunicações oficiais, numa altura em que a previsão meteorológica continua a apontar para a persistência de chuvas na região centro do país.