Moçambique entrou oficialmente em alerta vermelho nacional após as chuvas intensas registadas desde o início da presente época chuvosa provocarem mais de uma centena de mortes, destruição de habitações e deslocação em massa de comunidades inteiras, numa crise que volta a colocar o país entre os mais vulneráveis às alterações climáticas na África Austral.
Dados consolidados pelas autoridades indicam que pelo menos 103 pessoas perderam a vida em consequência direta das inundações, desabamentos e descargas elétricas, enquanto mais de 173 mil cidadãos foram afetados, sobretudo nas regiões centro e sul do país. O impacto material é igualmente severo, com cerca de 1.160 casas totalmente destruídas, deixando milhares de famílias sem abrigo seguro.
A declaração do alerta vermelho — o nível máximo no sistema nacional de gestão de riscos — permite ao Estado assumir controlo centralizado das operações de emergência, acelerar a mobilização de recursos financeiros e logísticos e, sobretudo, ordenar evacuações obrigatórias em zonas consideradas de elevado risco, incluindo áreas ribeirinhas e bairros informais sujeitos a inundações recorrentes.
No terreno, a situação é descrita como crítica. Várias estradas encontram-se cortadas, o acesso a centros de saúde está comprometido em alguns distritos e comunidades inteiras dependem de centros de acomodação temporária. A destruição de latrinas e sistemas de abastecimento de água levanta ainda temores de surtos de doenças de origem hídrica, numa altura em que o sistema de saúde já enfrenta limitações estruturais.
Especialistas em clima alertam que o atual cenário não é isolado. A intensificação e irregularidade das chuvas na região têm sido associadas a fenómenos climáticos extremos cada vez mais frequentes, afetando países vizinhos como África do Sul e Zimbabwe, e reforçando a necessidade de investimentos urgentes em prevenção, ordenamento territorial e resiliência comunitária.
Enquanto as autoridades mantêm operações de resgate e reassentamento, o Governo apela ao apoio dos parceiros humanitários e da comunidade internacional, reconhecendo que os efeitos desta emergência poderão prolongar-se até ao final da época chuvosa, com impactos diretos na segurança alimentar e na economia das famílias afetadas.
Com previsões de continuação das chuvas em várias bacias hidrográficas, o país permanece em estado de vigilância máxima.