O Governo moçambicano activou um plano especial de mobilidade e apoio humanitário para responder ao agravamento da situação provocada pelas cheias que afectam severamente as províncias de Maputo e Gaza, após o corte de vários troços da Estrada Nacional Número Um (N1), principal eixo rodoviário do país.
A medida, coordenada pelo Ministério dos Transportes e Logística, visa garantir a circulação de pessoas, o abastecimento de bens essenciais e o acesso das equipas de socorro às comunidades isoladas, num contexto em que as infra-estruturas rodoviárias se encontram parcial ou totalmente intransitáveis.
No âmbito do plano de contingência, os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) colocaram em operação comboios especiais de emergência. O primeiro transporte de passageiros parte da cidade de Maputo esta terça-feira, 27 de Janeiro, às 09h00, com destino ao distrito de Magude, tendo capacidade para cerca de 1.200 passageiros.
De acordo com informações oficiais, devido ao carácter humanitário da operação, o Governo decidiu aplicar uma redução de 50% no preço das passagens, de forma a facilitar a deslocação das populações afectadas pelas cheias.
Além do transporte de passageiros, está igualmente prevista a circulação de um comboio de mercadorias, a partir de quarta-feira, 28 de Janeiro, com o objectivo de assegurar o fornecimento de produtos alimentares, medicamentos e outros bens de primeira necessidade às zonas isoladas.
O plano de emergência estende-se também ao transporte marítimo. Uma embarcação com ajuda humanitária partiu de Maputo com destino ao Porto de Chongoene, na província de Gaza, transportando mantimentos e equipamentos de apoio. Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, o mesmo meio marítimo deverá efectuar o regresso à capital na quinta-feira, 29 de Janeiro, trazendo cidadãos evacuados das áreas afectadas.
A embarcação possui capacidade para cerca de 150 passageiros, sendo aplicada uma tarifa social fixada em 300 meticais, de modo a garantir acessibilidade às famílias em situação de vulnerabilidade.
O Executivo sublinha que estas acções de emergência têm como principal objectivo reduzir o impacto humanitário das cheias, assegurar a continuidade mínima da mobilidade nacional e evitar o isolamento total de distritos estratégicos, enquanto decorrem trabalhos de avaliação e reabilitação das infra-estruturas danificadas.
As autoridades garantem que o plano poderá ser ajustado em função da evolução da situação meteorológica e do nível de danos registados nas vias de comunicação. (VOZAFRICANO)