Maputo — O líder do partido da oposição ANAMOLA, Venâncio Mondlane, afirmou que a sua formação política mobilizou estruturas partidárias em várias províncias de Moçambique para apoiar populações afetadas pelas cheias, ao mesmo tempo que criticou a resposta das autoridades à atual crise humanitária.

Falando numa transmissão em direto na segunda-feira, Mondlane disse que sedes provinciais, distritais e postos administrativos do partido foram colocados à disposição para acolher famílias deslocadas e prestar assistência básica, incluindo alimentos, medicamentos e vestuário, com apoio de contribuições de cidadãos.
Segundo o dirigente, ações de resgate e acolhimento foram realizadas em bairros da cidade de Maputo e noutras zonas afetadas, tendo algumas famílias sido encaminhadas para centros de acomodação temporários. Mondlane referiu ainda dificuldades no fornecimento de alimentos e no atendimento médico em alguns desses locais.

Durante a intervenção, o líder da oposição afirmou que as cheias eram previsíveis, citando alertas emitidos anteriormente por instituições nacionais de monitorização meteorológica e de recursos hídricos. Na sua avaliação, deveria ter sido implementado um plano de contingência nacional antes do início da época chuvosa.
Mondlane abordou igualmente o histórico de desastres naturais no país e os apoios financeiros internacionais recebidos ao longo dos anos, defendendo maior transparência na gestão desses recursos e melhor aplicação das políticas públicas existentes no domínio da gestão de riscos e calamidades.
O dirigente referiu ainda relatos de irregularidades em operações de assistência humanitária, afirmando que essas situações devem ser investigadas. Até ao momento, as autoridades governamentais não reagiram publicamente às declarações.
Moçambique é frequentemente afetado por cheias e ciclones durante a época chuvosa, com impacto recorrente sobre populações vulneráveis, sobretudo em zonas baixas e bacias hidrográficas do sul e centro do país. As autoridades têm alertado para a possibilidade de agravamento da situação nos próximos dias. (Paula Nhampossa)