Moçambique enfrenta uma das fases mais críticas da atual época chuvosa, com quase 617 mil pessoas afetadas pelas cheias desde o passado dia 7 de janeiro, numa situação que continua a pressionar os sistemas de resposta humanitária e de proteção civil no país.
Dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que 12 pessoas perderam a vida, além do registo de dois feridos e quatro desaparecidos, em consequência das inundações que atingem várias regiões do território nacional. As províncias do sul continuam a concentrar o maior número de famílias sitiadas, muitas ainda à espera de operações de resgate.
No total, 133.704 famílias foram diretamente impactadas. O balanço material é severo: 743 casas foram totalmente destruídas, 2.867 parcialmente danificadas e 71.560 habitações ficaram inundadas, agravando as condições de vida de milhares de agregados familiares.
A crise obrigou à ativação de 90 centros de acomodação, que acolhem atualmente 93.655 pessoas, das quais 19.254 foram resgatadas em zonas de elevado risco. Paralelamente, o setor agrícola sofre perdas significativas, com mais de 60 mil hectares de campos agrícolas afetados, numa altura crucial do calendário produtivo.
Desde o início da época chuvosa, em outubro último, o país já contabiliza 123 mortes e mais de 754 mil pessoas afetadas, revelando a dimensão do impacto climático sobre comunidades vulneráveis e infraestruturas essenciais.
As autoridades alertam para a continuidade do risco, apelando à colaboração das populações nas zonas propensas a cheias, enquanto os esforços de assistência e prevenção seguem condicionados pela intensidade das chuvas e pelo acesso limitado a algumas áreas isoladas. (Paula nhampossasilviajose)