Pelo menos duzentas infraestruturas habitacionais e comerciais poderão ser demolidas nos municípios de Boane e Matola Rio, na província de Maputo, como parte das medidas de emergência para desobstruir os cursos naturais de água e reduzir o risco de novas inundações provocadas pelas chuvas intensas que atingiram a região na última semana.
A informação foi confirmada pelo administrador do distrito de Boane, Lázaro Mbambaba, que explicou que muitas das construções visadas foram erguidas em zonas de escoamento natural das águas pluviais, dificultando a drenagem e agravando os impactos das cheias.
Segundo o dirigente distrital, os proprietários das infraestruturas a serem demolidas não serão indemnizados, uma vez que as edificações terão sido construídas de forma desordenada e em áreas consideradas de risco. Ainda assim, o processo será conduzido com análise individualizada em alguns casos.
“Há cidadãos que, na pressa, foram construindo casas e muros no caminho da água. Já estamos a emitir avisos de que algumas dessas estruturas terão de ser demolidas. No caso das moradias, vamos analisar de forma casuística, mas os muros terão mesmo de ser removidos”, afirmou o administrador, acrescentando que a população já foi orientada a retirar os seus bens.
As autoridades locais garantem que estão a ser criadas alternativas de reassentamento para as famílias diretamente afetadas, sobretudo no município de Boane. De acordo com a presidente do Município de Boane, Geraldina Utchavo, existe um plano que prevê a disponibilização de cerca de três mil terrenos, dos quais mil talhões já estão assegurados.
“No bairro Filipe Samuel Magalhães temos um plano de três mil terrenos, e até ao momento já garantimos cerca de mil”, explicou a autarca, apelando às famílias abrangidas pelas demolições a aceitarem a mudança para novos assentamentos considerados mais seguros.
As declarações foram feitas à margem da receção de donativos alimentares oferecidos por uma operadora de telefonia móvel às vítimas das inundações registadas na autarquia. De acordo com dados avançados pelas autoridades locais, cerca de duas mil pessoas encontram-se atualmente acolhidas em centros de acomodação temporária, após terem sido afetadas pelas cheias.
O governo distrital e municipal assegura que continua a trabalhar em coordenação com parceiros humanitários para responder às necessidades imediatas das populações afetadas, ao mesmo tempo que implementa medidas estruturais para mitigar futuros episódios de inundações. (Cobertura : Paula )