KIEV – Pelo menos três pessoas morreram, incluindo uma criança, na sequência de uma vaga de ataques aéreos russos que atingiu diversas regiões da Ucrânia nesta terça-feira, provocando danos extensos em infraestruturas energéticas e cortes de eletricidade em larga escala em todo o país. A ofensiva ocorreu poucos dias após novas iniciativas diplomáticas internacionais para um eventual cessar-fogo, lançando dúvidas sobre a real disposição de Moscovo para avançar nas negociações de paz.
De acordo com as autoridades ucranianas, mísseis e drones lançados pela Rússia atingiram simultaneamente várias zonas do território, com impacto particularmente severo nas regiões ocidentais. A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, confirmou que instalações críticas do setor energético foram deliberadamente visadas, o que resultou em apagões generalizados e interrupções nos serviços essenciais.
O Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que os ataques abrangeram pelo menos 13 regiões do país, num momento sensível em que milhares de famílias se preparavam para as celebrações natalícias. Para o chefe de Estado ucraniano, a ofensiva demonstra que o Kremlin continua a privilegiar a escalada militar em detrimento de soluções diplomáticas.
“A Rússia voltou a mostrar que não respeita qualquer esforço de paz. Estes ataques confirmam que a pressão internacional ainda é insuficiente para travar a máquina de guerra russa”, escreveu Zelensky nas redes sociais.
Entre as vítimas confirmadas está uma criança de quatro anos, morta na região de Zhytomyr, no centro do país. Outra pessoa perdeu a vida na região ocidental de Khmelnytskyi, enquanto uma terceira morreu nos arredores de Kiev. Pelo menos cinco civis ficaram feridos na capital, segundo informações das autoridades locais.
A dimensão dos ataques levou a Polónia, país membro da NATO e vizinho da Ucrânia, a ativar medidas de segurança adicionais. Varsóvia informou que caças polacos e de países aliados foram colocados em alerta máximo e mobilizados para proteger o espaço aéreo, depois de bombardeamentos russos terem ocorrido perto da fronteira polaca.
O Ministério da Defesa da Rússia declarou que a operação teve como alvo infraestruturas militares e energéticas ucranianas, alegando também a captura de duas aldeias ao longo da linha da frente. Kiev, no entanto, não confirmou estas alegações, como tem acontecido em ocasiões anteriores, contestando frequentemente os avanços territoriais anunciados por Moscovo.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis durante a ofensiva, a maioria dos quais terá sido intercetada pelos sistemas de defesa aérea. Ainda assim, vários projéteis conseguiram atingir alvos estratégicos, causando danos significativos.
O Ministério da Energia ucraniano informou que todas as regiões do país foram afetadas por cortes emergenciais de eletricidade. Nas regiões de Rivne, Ternopil e Khmelnytskyi, quase a totalidade dos consumidores ficou sem fornecimento de energia durante a manhã. Também foram registados danos em infraestruturas críticas nas regiões de Chernihiv, Lviv e Odessa, enquanto uma central termelétrica operada por uma empresa privada sofreu avarias graves.
Em resposta, a Ucrânia intensificou igualmente as suas ações militares. Ataques com drones ucranianos provocaram incêndios em instalações industriais no sul da Rússia, incluindo numa região estratégica ligada à exportação de energia. As autoridades russas afirmaram que os fogos foram controlados e minimizaram os danos.
Os bombardeamentos surgem na sequência de encontros diplomáticos realizados recentemente nos Estados Unidos, onde representantes americanos mantiveram contactos com delegações ucranianas, europeias e, separadamente, com emissários russos, numa tentativa de explorar caminhos para o fim do conflito, que se aproxima de quatro anos de duração.
Apesar desses esforços, as posições permanecem distantes. Moscovo continua a exigir concessões territoriais significativas por parte de Kiev e limitações profundas às capacidades militares ucranianas, condições rejeitadas pelo governo de Zelensky, que insiste na defesa da soberania e integridade territorial do país.
A nova escalada militar reforça o receio de que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia esteja longe de um desfecho negociado, enquanto a população civil continua a pagar um preço elevado em vidas humanas, destruição e instabilidade prolongada.
a reuters tambem destacou a materia : https://www.reuters.com/world/russia-launches-air-attack-kyiv-ukraines-military-says-2025-12-23/