Realizam-se esta terça-feira (6), no Cemitério Municipal da Manga, vulgarmente conhecido por Indu, as exéquias de quatro jovens e adolescentes que perderam a vida por afogamento no primeiro dia do ano, numa das praias da cidade da Beira, província de Sofala.
As vítimas, com idades compreendidas entre os 18 e os 21 anos, encontravam-se a mergulhar quando uma delas foi surpreendida pela força das ondas. Na tentativa de prestar auxílio, os restantes jovens acabaram igualmente por ser arrastados pela corrente marítima em direcção a uma zona de grande profundidade, culminando num desfecho trágico. Três das vítimas pertenciam à mesma família.
O episódio causou comoção generalizada na cidade da Beira, sobretudo por ter ocorrido num período marcado por um balanço globalmente positivo da passagem do ano, considerado um dos mais tranquilos dos últimos tempos, com poucos registos de violência e acidentes de viação.
Entre as vítimas encontra-se Amélia Augusto, estudante do terceiro ano do curso de Medicina numa das universidades sediadas na cidade. É expectável que, durante as cerimónias fúnebres, sejam apresentadas mensagens de condolências pelas três instituições de ensino superior frequentadas pelos jovens.
Praias consideradas inseguras para banhistas
Dados apurados indicam que, entre Setembro de 2025 e 1 de Janeiro de 2026, pelo menos 11 pessoas morreram por afogamento nas praias da cidade da Beira. Todas as vítimas são jovens, com idades entre 17 e 30 anos, o que reforça a preocupação das autoridades e especialistas.
Em Novembro último, após um episódio em que quatro adolescentes perderam a vida num único dia, na Praia dos Veleiros, o especialista em segurança marítima João Figueiredo alertou que a Beira não dispõe de praias seguras para banhos recreativos.
Segundo o especialista, as praias locais apresentam fundos instáveis e buracos profundos, mesmo em áreas aparentemente seguras. A situação é agravada pela proximidade das desembocaduras dos rios Búzi e Púnguè, que transportam grandes quantidades de sedimentos e detritos para o mar, alterando constantemente o relevo submarino. A necessidade frequente de dragagem do canal de acesso ao Porto da Beira contribui igualmente para essa instabilidade.
As autoridades administrativas da cidade têm reiterado apelos à população para evitar banhos nas praias, tendo inclusive instalado placas de proibição. No entanto, estas sinalizações têm sido removidas por indivíduos desconhecidos, enquanto alguns banhistas continuam a ignorar as recomendações e a fugir às acções de fiscalização levadas a cabo pelo município e pela polícia lacustre. ( PAULA NHAMPOSSA)